
Ufa, sobrevivemos à Mega Artesanal e conforme prometido vamos contar tudo pra você que não foi. Na real, fazia tempo que a gente não ia a um eventos gigante como este. Estávamos com um certo medinho, porque geralmente preferimos coisas mais calmas e intimistas. Mas tudo pelo bem do craft, certo ? Acordamos cedo no sábado e munidas de câmera, brochinho do Flickr, credenciais e disposição rumamos para a Expo Imigrantes no carro da Cláudia. Nossas fiéis e pacientes escudeiras, a Pintinho Coloridinho e Maricotinha, nos acompanharam na saga de 8 horas que renderam boas idéias, conversas animadas, muitas fotos legais e pés completamente detonados.

Não tem jeito, feira grande é mesmo cheia de clichés. Filas gigantes na entrada ? Confere. Muita gente veio em caravanas do interior de São Paulo e outros estados, pois a Mega é o evento no ano para muita artesã. Fila pro banheiro ? Yep. Praça de alimentação lotada e comida ruim. Con-fe-ri-dís-si-mo. Foi na mega que comi a pior esfiha de frango ever. Mas a gente repetia o mantra “tudo em nome do craft” a cada dificuldade. Funcionou. E estar no meio da muvuca da Mega até rendeu momentos divertidos e curiosos. Um dos stands mais movimentados era o do fabricante de viés Cinderela. Por lá rolavam sorteios onde as participantes tinham que ficar gritando “Cinderela ! Cinderela !” numa vibe Silvio Santos encontra Martha Stewart. Mas o que é mico para alguns é diversão para outros, certo ? No stand de lãs da Linea Italia rolou até desfile de roupa de tricô em cima de uma passarela de mesas, com modelos carudas e aplausos.



A Mega tinha basicamente três tipos de expositores: lojas de materiais diversos(as MDFers e scrapper fariam a festa por lá), fabricantes e crafters independentes. Próximo a entrada, as grandes marcas exibiam seus stands luxuosos (Singer, Janome, Contact, Circulo, Gato Preto…todo mundo presente) e na parte do fundo ficavam os stands de venda de produtos artesanais. Todo mundo tinha um espaço, de acordo com seu porte e investimento. Praticamente todas as técnicas estavam presentes por lá. De biscuit até crochê. De cerâmica ao scrapbooking. Sentimos falta de mais stands dedicados a tecidos e equipamentos de costura mas acho que as feiras de Patch são mais focadas neste segmento. A proposta da Mega, como o nome já diz, é ser mega.
Na parte dedicada aos pequenos artesãos encontramos uma senhora que segurava uma linda colcha de patchwork multicolorida. “Foi a senhora que fez? Posso fotografar? “, perguntei. ” Claro! “, ela respondeu toda orgulhosa da sua obra. Eu também ficaria. Andando um pouco mais achamos um objeto curioso em outra barraca: uma espécie de bengala com ímã na ponta, para pegar alfinetes do chão sem ter que abaixar. Um gadget de costura das gerações passadas ? Bom, eu não conhecia mas gostei e usaria.
As vezes a Cláudia me cutucava com um “Olha aquilo, é bem legal e diferente”. Foi o caso da luminária de teto do stand da revista Make – o tipo de coisa que eu gostaria de ter na minha cozinha, se eu tivesse mais espaço.


A Cláudia, que curte mexer com papel, ficava procurando novidades nas lojas de scrap. Eu, na maoria das vezes, preferia ficar esperando do lado de fora. No final ela encontrou vários produtos legais de papel recortado a laser, fabricados no Brasil. Parece que a tecnologia já chegou por aqui e pra ficar. Tudo indica que logo vamos ter no mercado nacional muito acrílico, tecido e papel cortado a laser e em formatos fofos, prontos pra uso.

É logico que quando encontravamos alguma trabalho mais com a nossa cara soltavamos involuntariamente vários ooohhhhs e awwwws. Foi assim quando vimos esta mini cômoda decupada com tecido e com puxadores de tesouras coloridas. Idem para o abajur cuja base é uma jarra transparente cheia de botões. Fofuras que decoravam o estande da Make by Rita Paiva.

Os stands das grandes marcas promoveram muitas oficinas. Nelas as crafters podiam testar os produtos e colocar a mão na massa. Uma das mais bacanas e que eu gostaria de ter feito era a da marca de ferramentas Dremel – nesta foto as meninas estão esculpindo em cerâmica. Aliás reparamos que a concentração masculina da feira estava nos estands da Dremel. Realmente é uma boa idéia mandar seu marido pra lá enquanto você enlouquece nas lojas de scrap e MDF. Idéia melhor é deixá-lo em casa e ir só com as amigas, hehe.
Tivemos um certo dejá vu quando entramos no estande da Compactor e vimos que eles tinham demostrações e oficinas das Canetas Creative maker para desenhar em porcelana branca . Já escrevemos sobre elas aqui no blog. O bacana é que dá pra queimar as peças em forno caseiro.


Outra tendência que estava presente na Mega eram os projetos feitos com materiais reciclados. Muitas eco bags e também propostas legais para reutilização de embalagens. Nesta linha gostei das caixas forradas com tecido de patchwork , da Lu Gastal, e da bola gigante feita com fundo de garrafa pet, que enfeitava o stand do Professor Sassá, voltado para o público infantil.

Em cima: Lu, eu e Mara. Embaixo: Carola, Cláudia, Márcia e Cássia. Faltando a filhota da Mara, que bateu a foto
Sem dúvida uma das coisas mais bacanas da Mega foi a oportunidade única de encontrar num só lugar algumas crafters que a gente já conhecia no mundo virtual. Entre elas as queridas Lu Gastal & Mara Porto, que montaram um stand lindíssimo repleto de criações em patchwork e tecido. Perdemos a noção do tempo e ficamos um tempão por lá, xeretando tudo, tirando fotos e conversando com as gurias. Vamos falar mais delas por aqui mais tarde mas por enquanto deixo esta foto grupal que tiramos lá no stand. Repararam nos nossos sorrisos felizes e nos brochinhos do Flickr ?
Refletindo cá com os meus botões, um outro título interessante para este post seria: Quando o craft online encontra com o artesanato off-line. Explico. Pra começar, a faixa etária média do público da mega era mais velha, diferente da moçada que visita o Superziper. E achamos que a grande maioria que foi à Mega ainda usa muito mais a TV do que a web como referência para fazer crafts. Aliás, por lá quase ninguém usa a palavra crafter. O termo que predominante é artesã e artesanato. Em alguns momentos ficamos nos sentindo meio ETs, principalmente quando nos demos conta que muita artesã veio de muito longe só para conhecer seu ídolos ao vivo, os homens do artesanato na TV, como o Peter Paiva e o Dotan do Ateliê na TV. Eles por sinal foram fofos e simpáticos conosco, apesar de não fazerem a menor idéia do que é o Superziper, hehe. Mas seja usando a web ou TV, sendo crafter ou artesão, todo mundo que estava lá na Mega tinha uma coisa em comum: o prazer de fazer trabalhos manuais. E só isso já gerava uma ótima vibe, na nossa opinião.
Muita gente nos pergunta se vale a pena ir a Mega. Nossa dica é: se você é de São Paulo Capital, talvez ir a feira seja meio redundante pois é possivel ter acesso a tudo isso em lojas e pela web, sem muvuca. Mas se você é de outra cidade e está a fim de encontrar tudo ao mesmo tempo no mesmo dia, a Mega é sim uma boa idéia. Isso sem contar a delícia de encontrar amigas, ver novidades e testar novas técnicas. E talvez esbarrar com o Dotan Mayo no corredor. Ou com alguma crafter blogueira. Mas, se você for levemente agorafóbia, evite.
Mas quem pensou que nossa aventura de sábado terminou na feira, se enganou. Depois de cumprir a nossa missão na Mega fomos repor as energias num restaurante na Liberdade. Escolhemos um japonês raiz, com TV de teto ligada na NHK e estante cheia de mangás . E foi lá que baixou inspiração e, no improviso, gravamos nosso primeiro Craftcast (podcast craft), com a participação de um certo tio bonequeiro. Pra descobrir quem é o tio e ouvir o nosso podcast é so voltar aqui amanhã, ok ?
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Também no Superziper: Meninas que a gente encontrou nos corredores da Mega, adoramos conhecê-las. Ely, Adriane… Nossa péssima memória nos traiu e não conseguimos lembrar o nome de todas (vergonha!). E mais uma vez obrigada a Flávia (Casa da Mamãe Gansa) que deu a idéia do brochinho craft flickeiro. Lembrem-se de usá-lo nos outros eventos craft ao longo do ano.