20 maio 08
outros bla bla blas
Cadê meu alicate? Sumiram com minha tesoura?
por Claudia

Neste sábado fiz um programa muito legal: passei o dia visitando ateliês de design-makers de Londres. Seria uma missão praticamente impossível se eu tivesse de organizar os encontros! Mas felizmente alguém – o CraftCentral.org, no caso ;) – cuidou de tudo isso e organizou o evento “Made in Clerkenwell“. O esquema é o seguinte: essa organização sem fins lucrativos tem dois predinhos comerciais de 4 ou 5 andares em um bairro central de Londres (o tal de Clerkenwell) – e as salas são alugadas para designers, artesãos, ceramicistas e afins. Em duas ocasiões por ano, verão e Natal, esse pessoal abre as portas de seus espaços de trabalho para visitantes, compradores e interessados. Bom, não? E lá estava eu, saciando minha curiosidade e representando o Superziper.

Cada uma das paradas merecia uma história exclusiva. Todos eram muito receptivos, falavam de seus trabalhos, estavam abertos a conversa e troca de experiências. Aproveitando que faz tempo que não damos dicas de organização, seguem duas idéias fáceis de por em prática!

Porta-alicates Usando ímã

As duas fotos são do ambiente de trabalho de três joalheiros: Dorit Schnieber, Emma Burgin e Andrew English.

A primeira é simplérrima e os materiais são fáceis de achar e manipular. Basta dobrar um arame grosso em U, “enrolar” cada uma das pontas e prender na mesa com prego ou parafuso :-)

A segunda é inspirada no cantinho de vários cozinheiros (foto) – um íma horizontal para prender objetos metálicos. Em uma busca rápida na internet por porta+facas+magnetico encontrei uma versão pró na Spicy da WMF por 235 reais e uma versão mais acessível no Mercado Livre. Fica aí a dica pra quem tem várias tesouras e não sabe mais onde deixá-las ;-)

Depois volto para contar mais do evento!

UPDATE sobre eventos similares no Brasil:
. Arte na Vila (SP): fim-de-semana onde ateliês da Vila Madalena deixam suas portas abertas para visitantes verem suas obras e conhecerem os artistas. Alguns oferecem cursos, workshops e demonstrações de suas técnicas (link sobre o evento em abril de 2008)
. Arte de Portas Abertas (RJ): ateliês do bairro de Santa Tereza abrem suas portas à visitação (link sobre o evento em julho de 2007)
. Circuito das Artes (RJ): artistas com ateliês no Jardim Botânico recebem visitantes em seu local de trabalho (link sobre o evento em agosto de 2007).

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Também no Superziper: Em dezembro do ano passado, inspirada em uma matéria da revista Martha Stewart Living, a Andrea encapou uma caixa de Melissa e fez dela um lugar especial para guardar rolos de fitas :-) Fez sucesso!

16 maio 08
outras técnicastricô e crochê
DIY: Feltragem
por Andrea

feltragem a mão

Feltragem é um processo que faz com que a fibra do fios de lã pura fique misturada, ou seja, uma peça tricotada ou crochetada, através da agitação, vira uma peça de lã fechada e relativamente firme, sem buraquinhos típicos da trama destas peças.

Um exemplo ‘vida real’ é aquele seu casaquinho lindo de pura lã, que você acidentalmente colocou na máquina de lavar com água quente e ficou com um tamanho infantil! Pois bem, este é um exemplo de uma feltragem acidental. Mas é possivel fazer da feltragem uma coisa proposital e é o que eu vou mostar aqui hoje!

Foi há uns dois anos atrás, quando eu era super ativa no tricô (alô meninas do grupo de tricô que lêem este blog!!) a feltragem virou moda. Toda tricoteira tinha que ter pelo menos UMA bolsa feltrada. Eu embarquei nessa, fucei tudo que era tutorial em site gringo e fiz várias peças feltradas, entre elas a bolsa que vocêm vêem aí em cima. O que me atraía, além do visual de lã mais pesada, era o processo, pois no início, cada feltragem era pra mim uma surpresa! Hoje em dia, com um pouco mais de experiêcia, prefiro feltrar apenas peças pequenas à mão. Dá um pouco mais de trabalho, mas cheguei a conclusão que feltrar à máquina não é uma atitude ecológica – você vai precisar rodar vários ciclos inteiros até que atinja o ponto exato da feltragem, ou seja, vai gastar muita água e energia. Sem contar que o controle do ponto de feltragem à mão é mais fácil.

Feltragem a mão
Vamos lá, vou mostrar como fazer a feltragem em 6 passos (em sentido horário, começando pela primeira foto à esquerda):

1. Pegue a peça que você quer feltrar, tem que ser em lã pura (100%). Pode ser feita em tricô ou crochê, como a touca da foto.
2. Encha uma bacia com água quente. Não pode ser morna, tem que ser quente, mas não ao ponto de queimar a sua mão ;). Coloque um pouquinho de sabão líquido para roupas delicadas e agite.
3. Coloque a peça na água.
4. Prepare-se para a parte mais demorada e também mais legal. Você vai ter que agitar MUITO a peça na água. Pode dar uma esfregadas também. Lá pelos 5 mintos percebi que a peça estava mudando de textura, feltrando! Como queria ela bem feltrada, continuei. No meu caso, para feltrar esta touquinha, fiquei aproximadamente 15 minutos agitando bem a peça na água. Se a água esfriar, coloque mais água quente.
5. Depois de muita agitação, cheque se ela atingiu o ponto desejado de feltragem. Voce vai saber, pois a peça vai ficar mais grossa e perder os buraquinhos. Quanto maior a peça, maior o tempo que você vai ter que agitar, ok?
6.Enxagüe bem, torcendo de leve e coloque a peça para secar de um dia para o outro a sombra. É legal colocar a peça pra secar com algo dentro, que molde o formato que você quer que ela tenha quando secar.

Notem que a qualidade da lã é algo que influencia no tempo que você vai demorar para feltrá-la à mão. A lã nacional Paratapet feltra relativamente rápido. Quanto as outras marcas, aconselho fazer uma amostrinha antes e testar.

Ah, e se você optar por feltrar à máquina, um toque: só funciona para máquinas tradicionais, aquelas com abertura na parte superior, pois agitação e o atrito são maiores. Coloque a peça junto com uma monte de calças jeans e use água quente. Rode de 3 a 4 ciclos ou o suficiente para feltrar a sua peça. Boa sorte!

UPDATE 17/05:

* A queridíssima Solange nos dá uma boa notícia: que sim é possível feltrar na máquina de abertura frontal ! Segundo ela um ciclo com água bem quente é suficiente. Aliás, visitem o blog dela o Mon Tricot, referência absoluta para tricoteiras de todo o Brasil. O blog é pioneiro e me ajudou MUITO quando comecei a levar o trico ‘a sério’ e me meti a fazer outras peças além de cachecol :P. Acho que foi no Mon Tricot que ouvi falar pela primeira vez em feltragem de peças lã !

* A Lia nos conta que também consegue feltrar na máquina com abertura frontal, porém ela coloca a água quente à mão. Ela também dá uma boa dica de colocar um pouquinho de vinagre na água do enxagüe, para fixar a cor da lã ! Bem lembrado, Lia :)

UPDATE 19/05 :

* A querida Rose deu um toque muito interessante: Segundo ela a lã pura da cor branca não feltra !!!! “A clarinha(cru) feltra. A branca não, pelo tipo de lavagem que ela sofre pará ficar alva. Se tu fizeres uma bolsa com várias cores,e incluir o branco, essa parte não vai feltrar, enquanto as outras feltram normalmente. E têm várias cores que demoram mais para feltrar que outras. “

Vejam a foto da minha bolsa feltrada no começo do post. Eu usei a lã creme, não a branca, por isso feltrou bem e direitinho!

Este post está gerando muitos comentários com toques excelentes ! Muito obrigada a todas que leram e dedicaram um tempinho para mandar dicas através dos comentários . Vocês são demais :) !

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Coisas legais para se fazer usando a técnica de feltragem:

* Cestinhas para mesa, bem fácil para quem é inciante no tricô ou no crochê se aventurar.

* Sacola de compras (com receita em inglês), esta é para as mais experientes! A Lia tem a versão em português desta receita :)

15 maio 08
outros bla bla blas
Exposição: From Atoms to Patterns (De Átomos a Estampas)
por Claudia

Semana passada cai de pára-quedas em uma exposição muito interessante no museu da Wellcome Collection. A princípio, tinha ido ver as fotografias e historias da mostra Life Before Death, um trabalho muito delicado de um fotógrafo alemao sobre a vida e a morte. Como vocês podem deduzir, o tema não é dos mais animados, por isso qual não foi a minha surpresa ao sair e ver que na sala ao lado havia uma outra mostra chamada From Atoms to Patterns (De Átomos a Estampas). Passei uma boa hora por essa segunda exposição, fiz anotações e levei um folheto para casa. E aqui estou prestes a dividir meus achados com vocês aqui no Superziper.

Uma coisa legal pra contar é que, preparando as fotos e os dados para esse texto, vi que a exposição virtual no site da Wellcome Collection não deixa nada a desejar para aqueles que não podem vê-la ao vivo. No meu caso, estar lá foi uma feliz coincidência, mas não é uma exposição que eu recomendaria para o público em geral – precisa ter um grande interesse no assunto para ter o trabalho de se deslocar até o museu só para ver um pouco mais do que o material que está disponível no site.

 

From Atoms to Patterns - pratos From Atoms to Patterns - renda

Em resumo: a exposição mostra designs que foram criados especialmente para o ‘Festival Pattern Group’ de 1951. Naquela época, a Inglaterra tinha acabado de inventar a cristalografia de raios-X, uma técnica que permite “enxergar” os átomos, atraves de representaçães visuais. Uma cientista da universidade de Cambridge sugeriu que aqueles “desenhos” que comecavam a surgir, nunca antes vistos, fossem usados como inspiração de estamparia. O projeto foi adiante, ela entrou em contato com empresas como Dupont e ICI, e assim surgiram cortinas, papel de parede, carpetes e tecidos com estampas inspiradas em moléculas!! A exposição From Atoms to Patterns conta um pouco sobre esta descoberta, tem vídeos, fotos e materiais do Festival e – como não poderia faltar – resgata objetos e tecidos da exposição original.

Na foto acima vocês podem ver pratos com diversas estampas e um vestido feito de renda inspirada na representação do Berilo 8.9. Nesta galeria você pode ver fotos de gravatas inspiradas em hidroperóxido de alumínio, azulejos de hidroxido de zinco 8.39 e papel de parede de insulina 8.25. Dariam ótimos presentes para a turma da fisico-química ;-)

Para quem quiser saber mais, recomendo estes links:
. fotos dos cientistas e seus primeiros esboços
. fotos do 1951 Festival of Britain (destaque para o menu do restaurante, impresso em tecido, com borda de “renda atômica”)
. vídeo de Mary Schoeser sobre os materiais do Festival e sua influência no design. Está em inglês, mas vale pelas imagens.

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Livro: Já que o assunto de hoje é estamparia tem um livro novo no mercado que nos chamou atenção esta semana . É novo livro Lotta Prints, da designer sueca Lotta Jansdotter. O título diz que este livro ensina a fazer padrões com qualquer coisa , desde usando desde batata até madeira linóleo! E até que algumas estampas que ela usa até lembram de átomos ou moléculas, ;) .Logo logo deve estar chegando por aqui via grandes livrarias :)

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Também no Superziper: Para quem não foi, três fotos da mostra de sapatos da estilista inglesa Vivienne Westwood, que aconteceu em fevereiro deste ano.