Ok, vou admitir que tenho mania de mexer nas coisas. Não estou falando de pessoas que mexem nas obras dos museus (bem, isso eu também faço) ou que vêem com as mãos (é, me define). Mas de gente como eu que tem aquela coceira para modificar os originais, mexer no sentido de mudar.
Essa foto é de um lenço/echarpe que comprei há dois dias. Adorei a estampa, pirei com as florzinhas e com as cores fluorescentes. Mas tinha um porém, não gostei dos enfeites que costuraram nas bordas, esses grelôs coloridos – se fosse tudo em uma cor só, tudo laranja, ok, mas esse ‘degradê’ de vermelho para laranja para azul marinho não ornou!
Mas isso não era um problema, era uma solução. Já bati o olho nele pensando em um jeito de ‘consertar’. Simples, só descosturar. Peguei o lenço para ver melhor como estavam as costuras, se daria para mexer nisso sem ter de refazer o acabamento.
Deu certinho, desconstruí o negócio todo em uma noite, sentada no sofá com a ajuda do descosturador. Estão aí todos separados: o lenço, do grelô, da etiqueta (sempre arranco!) e das linhas. E o resultado: agora sim um lenço perfeito!
Decidi escrever sobre esta mania porque não é a primeira vez e nem será a última. Até meus amigos reparam que eu tenho esse olhar da desconstrução. Lembrei de um colar que comprei e virou quatro. Levei pensando no potencial que o original teria ao ser desmontado. Ah sim: e ainda tem os botões que sempre troco, as roupas e sapatos que tinjo, a barra que faço para ajustar o tamanho da calça…
E os exemplos continuam. O engraçado é que ao escrever sobre isso percebo que já é quase um traço de comportamento. Faço isso até em restaurantes. Me vejo conversando com garçons coisas do tipo: “dá para tirar o pepino e colocar croutons no lugar?” ou “olha, posso pedir o este peixe aqui, mas com os acompanhamentos daquele outro?” . Tem uns que riem, outros dizem que vão tentar, mas se não pode, tudo bem, eu entendo. Só descobri que isso era uma particularidade minha quando morei em Londres. Meu amigo fez cara feia ao presenciar uma dessas negociações e disse que não acreditava no que eu estava fazendo. Ele disse brincando que eu corria o risco de ser expulsa e levar uma bronca – menus são como são e não devem ser mudados.
Enfim… Com as roupas e acessórios eu continuo assim, pensando em ajustar aqui, mexer um pouco ali, tirar o bolso, fazer uma pence, colocar uns brilhos e costurar uns apliques, haha.
Só ainda não entendi se isso é criatividade em excesso ou chatice minha!






















