29 ago 07
inspiração
Conversa Crafty, Alejandra da Bijapy
por Claudia

Conversa com Alejandra, Bijapy

Alejandra Martinez Junca nasceu e mora em Bogotá (mapa). Tem 20 anos, está no 7º semestre de artes plásticas da Universidad Nacional de Colombia e já é dona do seu próprio business, a Bijapy. Em espanhol o j tem som de rr. Bijapy então pronuncia-se ‘birrapi’, um trocadilho com ‘be happy’ – seja feliz. O negócio surgiu há cerca de 3 anos, quando apoderou-se da máquina de tricô de sua mãe e saiu por aí fazendo blusas, casacos, meias, cachecóis, gorros e clientes felizes.

Superziper – Quem faz a Bijapy?
Alejandra – A Bijapy sou eu. No começo minha mãe me ajudava muito, não podia fazer nada sem que ela me desse instruções do que fazer. Mas agora que eu tenho mais experiência trabalho quase sempre sozinha. Minha mãe me ajuda ocasionalmente quando estou com muito trabalho acumulado. De tudo o que já fiz, só contei as malhas – foram 40. Acessórios como meia, cachecol, gorro, polaina, perdi a conta. Só controlo as malhas.

Conversa com Alejandra, Bijapy

Superziper – E como tudo começou?
Alejandra – Comecei a tecer mais ou menos em 2004, quando estava entrando na universidade. A máquina de tricô que eu uso hoje, uma PFAFF Duomatic 80, era da minha mãe. Ela comprou nos anos 80 quando estava grávida de mim. Usou tanto que até cansou. E a máquina ficou guardada embaixo da cama durante anos. Um dia ela emprestou-a a uma de suas amigas, grávida também. Ela queria fazer coisinhas para seu bebê e se inscreveu em um curso. Como a barriga já estava muito grande, ela não podia ir sozinha para a escola e eu fui de acompanhante para ajudar. Ela acabou nem aprendendo muito, então a máquina voltou pra casa. A primeira coisa que fiz foi uma troca com uma amiga. Ela me fez uma mochila e eu dois cachecóis. No começo eu só fazia cachecol e outras peças pequenas, mas tudo ainda me dava muito trabalho. Lá por 2005 um amigo me encomendou uma blusa. Eu disse que nunca tinha feito, mas que com minha mãe ajudando eu conseguiria. Foi minha peça Número 1, ficou um pouco torta e esquisita. A partir dessa comecei a fazer mais coisas, e cada vez mais complexas. Ultimamente andei aprendendo coisas novas e estou fazendo peças mais elaboradas.

Conversa com Alejandra, Bijapy

Superziper – Você aceita encomendas e pedidos sob medida?
Alejandra – Sim, na verdade todas as minhas malhas acabam sendo sob medida. Não trabalho ainda com tamanhos (tipo P, M ou G). Eu preciso de 3 a 4 dias para fazer uma malha. A pessoa pode escolher o que quer colocar na sua peça e eu ajudo a por em prática. Mas eu digo que é um trabalho em conjunto.

Superziper – Onde você vende seus produtos, alguma loja?
Alejandra – Por enquanto os produtos Bijapy não estão em nenhuma loga. A maioria das pessoas que compraram de mim foram amigos ou amigos de amigos. Grande parte da universidade mesmo. Mas ultimamente tenho feito mais contatos por causa do Flickr.

Superziper – Conta um pouco do seu dia a dia e do que você faz nas horas livres.
Alejandra – Em geral dedico grande parte do meu tempo para tecer. Mas quando estou em época de estudos deixo mais para a noite ou para os finais de semana. Mas ultimamente os vizinhos andam reclamando do barulho da máquina, então tenho me esforçado pra chegar em casa mais cedo pra poder trabalhar. Além disso, gosto de viajar, dançar, gosto muito de música. Hmmmm, que mais? Visitar museus, fotografía……. no fundo tudo que tenha a ver com arte me interessa. Gosto de muitas coisas.

Conversa com Alejandra, Bijapy

Superziper – Como é o mundo “crafty” na Colômbia?
Alejandra – Em Bogotá e em outras partes da Colômbia existem pessoas muito talentosas. Recentemente alguns resolveram abrir lojas, assim podem mostrar o que fazem sem precisar ser estilista de alguma grande marca ou sem ter muita experiência – o que eles fazem está lá a mostra. São propostas de gente jovem, com idéias muito boas, opções diferentes ao que se encontra no que se chama de “alta costura colombiana”. Há muito muito talento por esse lado do planeta. Uma loja legal aqui em Bogotá para encontrar coisas diferentes e bem feitas é na Zombie. Outro website bom é o www.populardelujo.com, recomendadíssimo.

Conversa com Alejandra, Bijapy

Superziper – Pra terminar, ensina a gente a falar algumas gírias colombianas.
Alejandra – Um parênteses antes… Na hora de traduzir talvez essas palavras percam seu sentido, mas é assim que a gente fala em Bogotá. As palavras mais usadas são:
. que chimba ou está una chimba = quando alguma coisa está muito muito bonita. Por exemplo ese saco esta una chimba, ¿en donde lo compraste? (essa blusa está muito bonita, onde você comprou?)
. muy chevere = bonito, bom. Chevere é um termo muito comum, usado por gente de todas as classes sociais. Não é um termo vulgar.
. vacano = bom, bonito.
. de lujo = fino, elegante.
. engallar = melhorar alguma coisa que está velha, como “pimp” en ingles .
. reencauche = remodelar, fazer uma versão nova de alguma coisa clássica ou velha, vale tanto para música como para roupa.
. del putas = também que dizer que alguma coisa está muy chevere ou uma chimba, mas com mais ênfase. Esta expressão é um pouco grosseira, mas muito comum.
. muy paila = ruim, feio. Por exemplo esos zapatos son (o estan) muy paila (esses sapatos estão muito feios). Pra dizer que eles são muito feios se diz re paila.
. boleta = esta expressão é parecida com paila, mas é mais específica pra mau gosto. Por exemplo, poderia dizer que é uma boleta os homens que usam camisa aberta, mostrando os pelos do peito. Na verdade a palavra pra isso é traqueto, o estilo do narcotraficante.

Bijapy no Flickr – http://www.flickr.com/photos/bijapy/

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Também no Superziper: antes da Alejandra, já entrevistamos a Miriam, a Liliam Higa, a Carol Grilo e a Yurippe Masuda. E mais… confira um índice com tudo que já publicamos.

11 jul 07
inspiração
Conversa Crafty: Miriam, da Elefante é a Vida
por Claudia

Conversa Crafty - Miriam (1)

A Miriam é nossa primeira entrevistada de Portugal. Ela tem 28 anos, é designer formada pela Universidade de Aveiro em Design de Comunicação há 7 anos. Começou sua carreira profissional trabalhando num atelier de design, depois mudou-se para Lisboa onde fez um curso de ilustração. Em 2003, recebeu um convite para dar aulas de multimídia na universidade onde estudou e assim voltou para a cidade de Aveiro. Cresceu rodeada de muitos livros e assim apaixonou-se por ilustrações. Aliás, seu próximo passo é dedicar-se a um mestrado sobre ilustração infantil pela Universidade de Barcelona. No meio de todas estas atividades, seu lado “crafty chica” se apodera das horinhas restantes para se dedicar à costura. Suas criações usando fita métrica chamam a atenção pelo colorido, criatividade, bom gosto (reparem nas combinações de tecidos, linhas, zíperes, forros e cores) e execução detalhada. Foi pra falar deste, e de outros assuntos, que convidamos a criadora do “Elefante, é a vida” pra conversar com o Superziper.

Conversa Crafty - Miriam (2)

Claudia – Vamos lá, pra começar, de onde surgiu o nome “Elefante, é a vida”?

Miriam – Essa é fácil! =))) É uma expressão que uso desde muito pequena… Tenho uma irmã, mais velha do que eu 6 anos, e que teve desde cedo aulas de francês. Ela costumava dizer-me muitas vezes “enfin c’est la vie!” e, como eu não percebia o que queriam dizer essas palavras, traduzia à minha maneira: “elefante, é a vida!”. Antes de existir meu blog, não tinha uma marca para as coisas que ia criando e, um dia, numa troca de emails com outra artesã portuguesa, Rosa Pomar, usei essa expressão e ela respondeu-me com a seguinte frase “adorei, aliás dava um excelente título para um blog, não te aventuras?”. Resolvi aventurar-me!

Cláudia – Sua primeira carteira de fita métrica aparece no blog em setembro de 2005. Quando você decidiu que iria seguir por esse caminho? E porque fita métrica, algum motivo especial?

Miriam – A foto dessa carteira foi tirada em agosto de 2005, mas a carteira foi feita meses antes! Antes de a publicar na net quis fazer mais algumas experiências para não aparecer só um item assim isolado. A idéia de usar a fita métrica não sei bem há quanto tempo a tinha, mas andou talvez uns dois anos na minha cabeça antes de a pôr em prática. Não sabia exactamente como começar e foi o meu pai que me ajudou a coser a primeira carteira. Eu sou, como costumo chamar-me muitas vezes, a “maior tralheira de todos os tempos”, acumulo toneladas de coisas em casa, e a minha mãe detesta!… e tudo o que tenha um bom aspecto gráfico, para mim, eu guardo. Sinceramente já não sei ao certo onde foi que há uns anos atrás encontrei umas fitas métricas com umas cores muito vivas e lindas e comprei-as. A partir daí comecei a reparar mais nesse objecto e comecei a coleccionar todas as que gostava. Tenho algumas que não consigo cortar e vou continuando a guardar!

Cláudia – Falando nisso, quem são os seus fornecedores de fita? Onde consegue tantas de cores tão diferentes?

Miriam – Top secret! Ahahahahahah. Estou a brincar! Não sei, procuro por todo o lado, chateio os meus amigos, quando faço trocas com outras artesãs elas já sabem que sou a “menina da fita métrica” e enviam-me algumas juntamente com outros presentes, quando viajo trago sempre algumas comigo… Não tenho assim fornecedores fixos. E a internet é um mundo!

Cláudia – Como a costura entrou em sua vida? Alguma influência de família?

Miriam – O meu avô era alfaiate e o meu pai também o foi durante muitos anos, por isso desde sempre tive em casa máquinas e todos os acessórios ligados à costura. O meu pai foi quem sempre me ajudou nesses trabalhos manuais e mesmo nas maquetes que tinha que fazer até já quando estava na Universidade. A costura foi entrando na minha vida de uma forma muito natural.

Conversa Crafty - Miriam (4)

Cláudia – Você tem também ‘meter trees’ e ‘pins’ usando a mesma temática da fita métrica. A família vai crescer? É possível ainda variar em cima do mesmo tema?

Miriam – Ahhh vai! Idéias não me faltam. Falta, como vocês já perceberam, tempo para fazer tudo o que idealizo. Mas vou aplicando as idéias aos bocadinhos. Há algumas coisas que quero fazer em breve, outras já fiz para mim e estão a ser usadas como protótipo em jeito de teste. Vou registando todas as idéias sempre pelos meus cadernos para não as ir esquecendo… e vão aparecer mais coisas novas.

Cláudia – E a decisão de numerar suas peças, de onde surgiu isso?

Miriam – Achei que era boa idéia as pessoas saberem que estão a adquirir uma peça única, diferente de todas as outras, bem como completamente idealizada por mim. Vi isso pela primeira vez aplicado pela Rosa Pomar nas suas bonecas e achei que era óptima para diferenciar também as minhas carteiras. Quando comecei a numerar as coisas informei-a do que estava a fazer porque não queria sentir que estava a copiar de ânimo leve a criatividade de outra pessoa, nem que ela se sentisse lesada por eu o estar a fazer.

Cláudia – Você tem flickr, blog, loja no Etsy e ainda vende para lojas como Duduá e outras. Como seleciona seus pontos de venda? Você vai atrás deles ou são eles que te procuram?

Miriam – Pois… neste momento acho que tenho coisas em 9 lojas “físicas”. Tem acontecido naturalmente. Até agora fui sempre procurada, recebi convites de todas as lojas que tenho no meu perfil e fui aceitando. Tenho várias lojas neste momento à espera de peças minhas, por isso, a lista vai aumentar ainda muito. Mas é completamente fundamental, para mim, identificar-me com o sítio onde as minhas coisas estão à venda. Sempre que recebo um convite, a primeira coisa que faço é ver o site ou blog dessa loja, muitas vezes acho que as minhas peças não se enquadram.

Conversa Crafty - Miriam (3)

Cláudia – Adoro suas fotos coloridas e o jeito de expor os produtos. Aliás, a vitrine a 100a Página ficou linda. Ajuda na hora de vender? De onde vem essa inspiração?

Miriam – Eu acho que faz todo o sentido contextualizar os produtos num determinado “cenário” e eu gosto desse trabalho de pós-produção. Isso vai, completamente, de encontro à minha profissão de designer, eu tenho sempre grande vontade de comunicar de uma forma mais eficaz, gosto de ter atenção aos pormenores.
Inspiro-me em tudo, muito nos filmes, adoro cinema, muito nos livros, no geral em tudo o que me rodeia. Ando sempre de olhos bem abertos.

Cláudia – Pra terminar, conte um pouco pra gente sobre a cena craft em Portugal.

Miriam – Está a crescer e a evoluir muito… e muito rápido! Têm aparecido, quase diariamente, pessoas muito interessantes com trabalho de muita qualidade. Tenho algumas preferidas, claro! São aquelas que me surpreendem sempre, que sei que todos os dias mostram novidades. É o caso da Rosa Pomar, que já nomeei várias vezes em cima porque é uma verdadeira referência em Portugal, da Vento na Praia, da fric_de_mentol, da zai-zai, da margapinta, da kjoo e tantas outras que me estou a esquecer e que adoro também. Neste momento, há uma espécie de moda em Portugal. Parece que toda a gente resolveu começar a criar os seus acessórios e a vendê-los. Acho até que quanto mais pessoas novas aparecerem a criar, melhor! No fundo, todos ficamos a ganhar! Mas queremos é muitas pessoas originais, queremos idéias próprias, pessoas inovadoras… Mas tal como no Brasil, que já percebi que é comum acontecer, aqui em Portugal, infelizmente, ainda existe muito o “espírito da cópia”… Ultimamente isso se passou comigo e só então entendi a verdadeira dimensão do problema e o quanto nos sentimos impotentes perante estas situações. É algo que um dia se vai conseguir mudar só com ética, educação e respeito pelos outros! Eu sou uma optimista e continuo a acreditar que as cópias são sempre muito inferiores ao original. O original tem um conceito por trás, tem o sentimento do criador e reflecte sempre todas as experiências vividas e acumuladas. Felizmente, apesar disso, encontro novos criadores e artesãos portugueses que sigo com muita atenção.

Gostou ? Confira mais aqui:
– Blog: http://felty.blogs.sapo.pt
– Flickr: http://www.flickr.com/photos/miriam
– Loja Etsy: http://miriam.etsy.com

31 maio 07
costurainspiração
Costura para autodidatas
por Andrea

O que me atrai na costura é simples: o poder de criar coisas a partir de um simples pedaço de pano. A satisfação que sentar na sua máquina, com um pedaço de tecido,  pisar no pedal, ficar fazendo aquele barulhinho da agulha? E finalmente, depois de horas desligar a luz que fica atrás com objeto acabado nas mãos ? Só quem costura sabe o que é esta sensação divina.

Eu nunca fiz cursos (nada contra, só que eu nunca fiz). Foi assim: eu ganhei uma máquina de costura de Natal, sentei e saí costurando na marra, por tentativa e erro. Também desmanchei várias roupas e objetos só para ver como eram feitos e  tentei reproduzir (uma ótima técnica por sinal). Quando empaco em alguma parte felizmente posso contar com a consultoria da minha mãe que é expert no metier,  que sorte ! E quase sempre ainda corro para Internet e dou  procuro coisas do tipo how to sew elastic” ” how to sew double bias tape .

E assim vou levando a vida e costurando as coisas que eu quero. Mas sinto falta de uma fonte de referência lá do meu lado na hora de costurar. Um guia básico de técnicas de costura,  um salvador da pátria. Era algo que eu queria, mas tinha dúvidas se existia. Até que pesquisando na net e perguntado para quem conhece do assunto, descobri  O Grande Livro da Costura.

Costura Auto Didata

As opiniões sobre ele são unânimes : é o melhor  livro de referência porque é ilustrado , é completo, mostra tudo o que você quer e precisa saber, desde técnicas básiconas até as avançadas.

A má notícia é que parou de ser publicado no Brasil há algum tempo. Então, existem 3 saídas.
1. Procurar em sebos da sua cidade . Eu até hoje não achei em nenhum
2. Encomendar na Livraria Cultura ou na Amazon
3. Herdar ( a melhor, hehe)

Existe ainda a versão americana e atualizada do livro acima. Ótima pedida pra quem sabe inglês mas ainda assim  com o incoveniente de ter que  converter medidas e procurar termos técnicos no dicionário.

Costura Auto didata

Eu gosto mais da edição brasileira. Pra mim aquela capa estilo caixa de costura continua sendo o máximo. Mas se demorar muito pra achar, vou atrás da americana mesmo.

Se você é sortuda e já tem este livro (ou outro que goste) me escreva, eu quero saber se é tão bom como eu estou imaginado. Se você está na procura como eu, boa sorte !

E Editoras, tá na hora de relançar este livro e outros sobre costura aqui no Brasil, né ? As costureiras agradecem.