“Adivinhe o que esses velhinhos estão fazendo aí sentados?” foi a pergunta que ouvi da minha anfitriã em Shanghai. Estávamos no lobby de um prédio de escritórios numa nova área comercial da cidade, afastada uns 20 minutos do centro. Eram ao redor de 40 senhores e senhoras, o mais novo talvez tinha uns 65 anos, que estavam sentados em banquinhos portáteis, conversando animados, costurando, fazendo tricô, lendo e tomando chá. Para visualizar melhor a cena, imagine essas mesmas pessoas sentadas na entrada de um prédio como o Robocop, na Berrini, em São Paulo.
Perto de onde estavam, havia a entrada de algo que parecia ser um banco. A placa em caracteres ocidentais confirmou: Bank of Shanghai. Assim, minha primeira e instintiva resposta foi imaginar que eles estavam esperando ser atendidos pra buscar o dinheiro da aposentadoria e que, devido à burocracia e demora no atendimento, preferiam passar esse tempo sentados batendo papo. Mas tinha algo que não fazia sentido. Afinal eles não estavam organizados em fila. Pelo contrário, não havia ordem. Mas como nenhuma outra idéia passava pela minha cabeça, arrisquei a hipótese do banco.
“Hihihihi, não não!”
A resposta correta está aí embaixo. Antes de ler, conte pra gente qual foi sua primeira impressão e o que você imaginou. Use o link de comentários.
“Na verdade, esses velhinhos estão protestando. Nesse prédio fica a administração central da região de Caohengjing. Este é um bairro em desenvolvimento, onde a cada dia eles constroem novos prédios, e para isso precisam desapropriar casas de pessoas que moravam aqui faz tempo. A prefeitura ofereceu um valor pelas propriedades abaixo do que eles esperavam ganhar, então eles vem aqui pra protestar por um pagamento mais justo. A maioria é aposentado, então eles não têm muito o que fazer mesmo. Eles chegam cedinho de manhã – vêm de ônibus ou a pé, porque moram aqui perto – trazem suas coisas e passam o dia juntos conversando ou tricotando e depois voltam pra casa. Já faz quase um ano isso. Acho que hoje eles nem fazem mais pelo dinheiro, eles estão se distraindo e curtindo a vida”
Clicando nas fotos dá pra ver a imagem ampliada. Tem gente enrolando lã, mulheres com agulhas de tricô e por aí vai. Interessante, não? Achei que vocês gostariam da história, que pessoalmente apelidei de Protesto Craft.
































