12 jul 07
ateliê craftoutros bla bla blas
Organizando o estúdio – Onde guardar rolos de fita ?
por Andrea

Estamos inaugurando uma nova seção que irá falar sobre organização de estúdios. Sim porque apesar de gostarmos de fazer bagunça criativa também precisamos ter tudo arrumado e à mão. Por uma questão prática, pois sabemos que ter materiais sempre organizados afeta enormemente a produtividade de quem faz crafts.

Eu sempre estou bisbilhotando os grupos de organização de craft rooms no flickr atrás de inspiração. Mas esta idéia em particular eu peguei revista Martha Stewart Living. Ela fez um dispenser de fitas como este mas usou com uma caixa nova, linda e marthastewartiana. Já eu me apoderei do espírito de reciclagem e usei uma caixa de sapato Melissa que estava rolando em casa faz um tempo e fiz a minha. Olhem como ficou:

caixa de fitas

Acho que as fotos já dizem tudo. Vai então um resumo da ópera de a) à d):

a) Corte com ajuda de um estilete um retângulo fino em uma das laterais maiores da caixa – recomendo fazer um buraco de no máximo 0.5 cm, assim as fitas não ficarão saindo do lugar na hora de puxar. Como vocês podem ver o meu ficou um pouco largo, não repitam o meu erro!

b) Coloque um espeto de madeira para churrasco ou qualquer outra vareta similar on interior da caixa. Não pode ser menor que a largura da caixa, se for maior, corte o excesso de modo a deixá-lo bem encaixado na horizontal.

c) Passe o espeto por dentro dos rolos de fita, viés, barbantes.

d) Encaixe e tampe. Tá pronto! Quem disse que o que é legal tem que ser complicado ?

Se você tiver muitas fitas e viés em rolo faça várias caixas como esta e agrupe por cor e em degradée. Ou tenha caixas por motivo, com todas as fitas xadrezinhas juntas numa caixa e todas as de poá em outra.

As caixas de Melissa são ideias para fazer este dispenser mas se você não tiver uma delas à mão vale forrar uma caixa de sapato com um papel estampado.

E vocês ? Contem como vocês organizam seus materiais , adoramos saber !

PS: Como vocês podem ver a Cláudia tá de volta ao blog desde ontem. Eêeeeeeeee :-D !

 

11 jul 07
inspiração
Conversa Crafty: Miriam, da Elefante é a Vida
por Claudia

Conversa Crafty - Miriam (1)

A Miriam é nossa primeira entrevistada de Portugal. Ela tem 28 anos, é designer formada pela Universidade de Aveiro em Design de Comunicação há 7 anos. Começou sua carreira profissional trabalhando num atelier de design, depois mudou-se para Lisboa onde fez um curso de ilustração. Em 2003, recebeu um convite para dar aulas de multimídia na universidade onde estudou e assim voltou para a cidade de Aveiro. Cresceu rodeada de muitos livros e assim apaixonou-se por ilustrações. Aliás, seu próximo passo é dedicar-se a um mestrado sobre ilustração infantil pela Universidade de Barcelona. No meio de todas estas atividades, seu lado “crafty chica” se apodera das horinhas restantes para se dedicar à costura. Suas criações usando fita métrica chamam a atenção pelo colorido, criatividade, bom gosto (reparem nas combinações de tecidos, linhas, zíperes, forros e cores) e execução detalhada. Foi pra falar deste, e de outros assuntos, que convidamos a criadora do “Elefante, é a vida” pra conversar com o Superziper.

Conversa Crafty - Miriam (2)

Claudia – Vamos lá, pra começar, de onde surgiu o nome “Elefante, é a vida”?

Miriam – Essa é fácil! =))) É uma expressão que uso desde muito pequena… Tenho uma irmã, mais velha do que eu 6 anos, e que teve desde cedo aulas de francês. Ela costumava dizer-me muitas vezes “enfin c’est la vie!” e, como eu não percebia o que queriam dizer essas palavras, traduzia à minha maneira: “elefante, é a vida!”. Antes de existir meu blog, não tinha uma marca para as coisas que ia criando e, um dia, numa troca de emails com outra artesã portuguesa, Rosa Pomar, usei essa expressão e ela respondeu-me com a seguinte frase “adorei, aliás dava um excelente título para um blog, não te aventuras?”. Resolvi aventurar-me!

Cláudia – Sua primeira carteira de fita métrica aparece no blog em setembro de 2005. Quando você decidiu que iria seguir por esse caminho? E porque fita métrica, algum motivo especial?

Miriam – A foto dessa carteira foi tirada em agosto de 2005, mas a carteira foi feita meses antes! Antes de a publicar na net quis fazer mais algumas experiências para não aparecer só um item assim isolado. A idéia de usar a fita métrica não sei bem há quanto tempo a tinha, mas andou talvez uns dois anos na minha cabeça antes de a pôr em prática. Não sabia exactamente como começar e foi o meu pai que me ajudou a coser a primeira carteira. Eu sou, como costumo chamar-me muitas vezes, a “maior tralheira de todos os tempos”, acumulo toneladas de coisas em casa, e a minha mãe detesta!… e tudo o que tenha um bom aspecto gráfico, para mim, eu guardo. Sinceramente já não sei ao certo onde foi que há uns anos atrás encontrei umas fitas métricas com umas cores muito vivas e lindas e comprei-as. A partir daí comecei a reparar mais nesse objecto e comecei a coleccionar todas as que gostava. Tenho algumas que não consigo cortar e vou continuando a guardar!

Cláudia – Falando nisso, quem são os seus fornecedores de fita? Onde consegue tantas de cores tão diferentes?

Miriam – Top secret! Ahahahahahah. Estou a brincar! Não sei, procuro por todo o lado, chateio os meus amigos, quando faço trocas com outras artesãs elas já sabem que sou a “menina da fita métrica” e enviam-me algumas juntamente com outros presentes, quando viajo trago sempre algumas comigo… Não tenho assim fornecedores fixos. E a internet é um mundo!

Cláudia – Como a costura entrou em sua vida? Alguma influência de família?

Miriam – O meu avô era alfaiate e o meu pai também o foi durante muitos anos, por isso desde sempre tive em casa máquinas e todos os acessórios ligados à costura. O meu pai foi quem sempre me ajudou nesses trabalhos manuais e mesmo nas maquetes que tinha que fazer até já quando estava na Universidade. A costura foi entrando na minha vida de uma forma muito natural.

Conversa Crafty - Miriam (4)

Cláudia – Você tem também ‘meter trees’ e ‘pins’ usando a mesma temática da fita métrica. A família vai crescer? É possível ainda variar em cima do mesmo tema?

Miriam – Ahhh vai! Idéias não me faltam. Falta, como vocês já perceberam, tempo para fazer tudo o que idealizo. Mas vou aplicando as idéias aos bocadinhos. Há algumas coisas que quero fazer em breve, outras já fiz para mim e estão a ser usadas como protótipo em jeito de teste. Vou registando todas as idéias sempre pelos meus cadernos para não as ir esquecendo… e vão aparecer mais coisas novas.

Cláudia – E a decisão de numerar suas peças, de onde surgiu isso?

Miriam – Achei que era boa idéia as pessoas saberem que estão a adquirir uma peça única, diferente de todas as outras, bem como completamente idealizada por mim. Vi isso pela primeira vez aplicado pela Rosa Pomar nas suas bonecas e achei que era óptima para diferenciar também as minhas carteiras. Quando comecei a numerar as coisas informei-a do que estava a fazer porque não queria sentir que estava a copiar de ânimo leve a criatividade de outra pessoa, nem que ela se sentisse lesada por eu o estar a fazer.

Cláudia – Você tem flickr, blog, loja no Etsy e ainda vende para lojas como Duduá e outras. Como seleciona seus pontos de venda? Você vai atrás deles ou são eles que te procuram?

Miriam – Pois… neste momento acho que tenho coisas em 9 lojas “físicas”. Tem acontecido naturalmente. Até agora fui sempre procurada, recebi convites de todas as lojas que tenho no meu perfil e fui aceitando. Tenho várias lojas neste momento à espera de peças minhas, por isso, a lista vai aumentar ainda muito. Mas é completamente fundamental, para mim, identificar-me com o sítio onde as minhas coisas estão à venda. Sempre que recebo um convite, a primeira coisa que faço é ver o site ou blog dessa loja, muitas vezes acho que as minhas peças não se enquadram.

Conversa Crafty - Miriam (3)

Cláudia – Adoro suas fotos coloridas e o jeito de expor os produtos. Aliás, a vitrine a 100a Página ficou linda. Ajuda na hora de vender? De onde vem essa inspiração?

Miriam – Eu acho que faz todo o sentido contextualizar os produtos num determinado “cenário” e eu gosto desse trabalho de pós-produção. Isso vai, completamente, de encontro à minha profissão de designer, eu tenho sempre grande vontade de comunicar de uma forma mais eficaz, gosto de ter atenção aos pormenores.
Inspiro-me em tudo, muito nos filmes, adoro cinema, muito nos livros, no geral em tudo o que me rodeia. Ando sempre de olhos bem abertos.

Cláudia – Pra terminar, conte um pouco pra gente sobre a cena craft em Portugal.

Miriam – Está a crescer e a evoluir muito… e muito rápido! Têm aparecido, quase diariamente, pessoas muito interessantes com trabalho de muita qualidade. Tenho algumas preferidas, claro! São aquelas que me surpreendem sempre, que sei que todos os dias mostram novidades. É o caso da Rosa Pomar, que já nomeei várias vezes em cima porque é uma verdadeira referência em Portugal, da Vento na Praia, da fric_de_mentol, da zai-zai, da margapinta, da kjoo e tantas outras que me estou a esquecer e que adoro também. Neste momento, há uma espécie de moda em Portugal. Parece que toda a gente resolveu começar a criar os seus acessórios e a vendê-los. Acho até que quanto mais pessoas novas aparecerem a criar, melhor! No fundo, todos ficamos a ganhar! Mas queremos é muitas pessoas originais, queremos idéias próprias, pessoas inovadoras… Mas tal como no Brasil, que já percebi que é comum acontecer, aqui em Portugal, infelizmente, ainda existe muito o “espírito da cópia”… Ultimamente isso se passou comigo e só então entendi a verdadeira dimensão do problema e o quanto nos sentimos impotentes perante estas situações. É algo que um dia se vai conseguir mudar só com ética, educação e respeito pelos outros! Eu sou uma optimista e continuo a acreditar que as cópias são sempre muito inferiores ao original. O original tem um conceito por trás, tem o sentimento do criador e reflecte sempre todas as experiências vividas e acumuladas. Felizmente, apesar disso, encontro novos criadores e artesãos portugueses que sigo com muita atenção.

Gostou ? Confira mais aqui:
– Blog: http://felty.blogs.sapo.pt
– Flickr: http://www.flickr.com/photos/miriam
– Loja Etsy: http://miriam.etsy.com

03 jul 07
costura
Saia, eu que fiz
por Andrea

 

Saia - detalhes

Gente, eu tô demorando para postar novidades esta semana porque a Cláudia tá de férias. Mas isso não significa que eu estou sem fazer “coisas”, só estou com pouco tempo para tirar fotos e escrever textos.

Ando me arriscando a fazer roupas na máquina e minha última tentativa deu nesta saia – com tecido japonês.  O modelo desta saia – aquele clássico, franzido, na altura do joelho, com uma faixa na cintura e ziper na parte de trás. Achei no site da Dacia Ray, que tem outros moldes gratuitos que eu pretendo testar em breve. Tá tudo bem bem explicadinho aqui, só tem que ter o trabalho de transformar as medidas para cm.
Eu recomendo este projeto pra quem já tem alguma habilidade com a máquina. Serve pra você exercitar noções básicas como franzir, ajuntar partes, pregar botão, cortar moldes. É divertido mas requer bastante atenção.

botao

Para fechar na parte de trás, usei um botão forrado. Usei uma sobrinha de tecido com a estampa do coelho. E para fazer esta saia eu usei pela primeira vez o meu guia magnético de costura – minha costura reta que nem sempre era reta desta vez saiu quase profissional.

Tá atrás de outros free patterns? Cheque esta site da empresa alemã Burda. Tem coisas lindas.