06 fev 15
casa craftoutros bla bla blas
DIY: Cabide encapado à moda antiga
por Andrea

cabide_abre

O projeto de hoje é assumidamente nostálgico. Quem nasceu nos anos 70/80 deve lembrar destes cabides forrados, presença obrigatória no guarda-roupa das meninas (e meninos também, por que não?).

Explicação para os que nasceram depois. Naquela época era moda ganhar de presente este tipo de cabide. Eu digo ‘ganhar’ pois forrar cabide era um craft que ninguém fazia em casa, me parece todo mundo ganhava cabide de presente de aniversário de alguma tia. Eles brotavam nos armários! Eu nunca liguei muito para os meus cabides coloridos mas hoje, depois de muitos anos, me deu saudades e vontade de fazer alguns para meu baby que vai chegar daqui a pouquinho. É uma bela maneira de usar fio tipo sutache e aquele fita galão colorida de estoque antigo do armarinho do seu bairro. Não tem costura, só colagem, é fácil e fica lindo. Como presente com certeza vai causar muitos uauuuus e nhóoooins.

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Separe um cabide de madeira, fio tipo sutache  (mais ou menos 5 m), fita galão (vamos usar só um pedaço, na largura do seu cabide), cola branca, tesoura e pincel chato (opcional, para ajudar a espalhar a cola).

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Aproveita para fazer um composê de cores com o sutache e a fita galão. Estes são antigos, do nosso estoque vintage do Bazar Ógente. Em armarinhos de bairro, garimpando bem, ainda se acha este tipo de fita.

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Comece retirando o ganho do cabide. Basta girar que, se for de rosca, ele sai. Se o seu cabide tiver rebarbas de madeira dê uma lixadinha geral antes de começar.

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Meça a fita galão na largura do cabide e corte. Vamos usar apenas este pedaço.

Para encapar, siga as etapas abaixo. Use sempre pouca cola para não encharcar a fita.  Pode aplicar usando o pincel chato ou com o próprio bico do tubo de cola.

mosaico cabide

– Primeiro cubra as duas pontas laterais do cabide, colando pequenos pedaços do sutache paralelos.

– Começe a cobrir a largura do cabide, passando pouca cola por cima do sutache que já está colado nas pontas. Vá enrolando mais sutache por cima, mantendo um fio bem junto ao outro e tomando cuidado para não torcer o fio. Cubra por aproximadamente 1 cm do cabide.

– Insira a ponta do galão e continue enrolando o sutache, desta vez enrolando por cima.

– Quando quiser que o galão apareça no cabide é só levantá-lo e enrolar/colar o sutache por baixo, direto na madeira. Defina os intervalos que quer  que o desenho do galão apareça ou não. Para este cabide eu usei a seguinte repetição: cinco voltas de sutache com o galão aparecendo e três voltas com o galão coberto. Mas não é regra. Observe o desenho do seu galão para criar o intervalo e quantidade de voltas mais bacana para o seu cabide.

– Continue enrolado e colando até o final.

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Quando chegar na outra ponta faça o acabamento colando o sutache bem apertadinho e passando um pingo de cola a mais na ponta. Deixe secar bem.

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O gancho de metal também pode e deve ser encapado. Passe cola e vá enrolando bem apertado, até cobrir todo o comprimento, mas deixe parte da rosca de fora.  Mais uma vez, todo cuidado para não torcer o sutache ao enrolá-lo!

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Encaixe o gancho de volta no buraco do cabide.

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Vindos diretamente do túnel do tempo craft, seus cabides encapados com um ar vintage já estão prontos para serem usados ou presenteados.

Além de fofos são decorativos e, ao contrário dos cabides de plástico, evitam que as roupas escorreguem ao serem penduradas. Se quiser ir além e ousar, pode tentar escrever o nome da criança no cabide.

Não resisti a chance de fazer cabides novos com carrinha de antigo já que os meus cabides originais se perderam por aí.

Se você guardou sos cabides encapados da infância tire uma foto e mande pra gente ver. Vamos adorar!

04 fev 15
outros bla bla blas
Link love da água
por Claudia

Mad men, cena do picnic

Na série de TV Mad Men, que se passa nos anos 60, tem um episódio, que para mim, tem um dos momentos mais marcantes. Em “The Golden Violin” (episódio 7, temporada 2) Don Drapper, o personagem principal, compra um carro novo de luxo e leva a família para fazer um piquenique no parque. Na hora de ir embora, ele faz questão de que as crianças entrem com as mãos limpas no carro, mas logo em seguida Betty, sua esposa, recolhe a toalha, chacoalhando a sujeira e deixando todo o lixo sobre a grama. A cena dura cerca de um minuto e me deixou de queixo caído! Foi filmada com este intuito. A família feliz vai embora e a câmera segue focando o lixaral que ficou no parque. Como assim eles largavam tudo emporcalhado? Pelo jeito, nem passava pela cabeça que deveriam recolher as latinhas e os descartáveis. Ninguém dormia com consciência pesada por deixar este rastro de sujeira no parque.


Voltando para os dias de hoje, penso que se no futuro, em 2050, existir uma série sobre os anos 2000, a reação será a mesma de choque total se os espectadores vissem o personagem principal usando água limpa para lavar e empurrar folhas da calçada! Ou tomar um banho demorado. Ou escovar os dentes com a água correndo loucamente. Vocês entenderam do que estou falando, né? Nem preciso continuar com os exemplos… Estamos em 2015 e, para muita gente, a ficha da crise da água ainda não caiu.

Acho que nós, crafteiros e crafteiras, por colocarmos a mão na massa, temos mais facilidade de dar o “primeiro” passo. Podemos adotar gambiarras. Podemos construir engenhocas (tipo esse chuveiro caseiro feito com galão de água). Podemos mudar o comportamento em casa. E assim servir de influenciadores para a nossa pequena comunidade, seja a família, os amigos, os colegas de escola…

O Link Love é uma seção do Superziper que divulga coisas legais que vimos na internet. Então aproveitei para separei cinco links de pessoas que admiro e que já vêm fazendo tanta coisa pela água há um bom tempo. Sugiro a leitura e espero que muito dela se aproveite!

1. Economize água na cozinha, por Neide Rigo, do blog Come-se: este texto foi escrito há um ano, em 7 de fevereiro de 2014, e conta várias coisas que podemos fazer para economizar. A Neide dá dicas de como lavar louça com três bacias (vou adotar já!) e como cuidar do quintal e jardim (só varrer, não podar, reutilizar água da chuva, etc). Ela sabe do que fala, escreve como uma amiga, merece ser lida. Bons comentários dos leitores também, não pule esta parte! Uma continuação foi escrita em setembro e têm mais sabedorias, para quem se interessar.

2. Reuso de águas cinzas, por Carol Daemon: o blog é sobre sustentabilidade e neste texto a Carol ensina um passo a passo de como fazer em casa um balde-cisterna para recolher água da máquina de lavar roupa. Essa água, que normalmente seria jogada fora, desta forma pode ser reutilizada para faxina, na descarga, etc. Clique também nos posts relacionados e vai descobrir muita coisa interessante e útil. Sugiro ler também uma notícia sobre um zelador de um prédio em SP que instalou reservatórios para recolher a água descartada pelas máquinas de lavar dos apartamentos.

3. Casa limpa com vinagre, bicarbonato de sódio e óleo de eucalipto, por Giuliana Capello, do blog Gaiatos e Gaianos: já falamos aqui no Superziper sobre como fazer um limpador multiuso natural, mas este texto-depoimento da Giuliana complementa o assunto ainda mais. Por morar em uma ecovila, ela e os outros moradores têm o dever de tratar o próprio esgoto e, por isso, minimizam o uso de produtos químicos. A maneira como dispensam os resíduos afeta diretamente da qualidade das fontes de água.

4. Água, tem mas acabou, do UOL: o Tab é como aqueles cadernos especiais de jornal, cobrindo um assunto específico, mas em versão digital. Na edição #16, o tema é a crise da água. A página tem algo de interativo e ajuda a entender o problema com a ajuda de infográficos, mapas e vídeos. Bom pare entender o que está acontecendo em SP.

5. Construção de cisterna (vídeo), por Casa Tomada: o pessoal já está colocando a mão na massa e fazendo cisternas pra aproveitar a água da chuva. O vídeo é um convite e inspirador. Mas sugiro procurar no Google Images por Rain barrel. O termo em inglês pode ser traduzido literalmente como barril para recolher água de chuva. É impressionante a quantidade de projetos, modelos, formatos e instruções para você fazer o seu, simples ou complexo, de forma doméstica. Em português, a busca por imagens de cisterna também funciona, mas em inglês achei que há mais conteúdo. O que vale é fazer, não importa a fonte.

Também convido a que usem o espaço de comentários deste texto como um espaço de trocas de ideias e soluções. Estou lendo muito sobre este assunto e adoraria ouvir mais recomendações de vocês – tanto do que fazem como do que estão lendo…


UPDATE com novos links:

. Tumblr boletim da Falta de Água em SP (atualização semanal)
. Manual de Sobrevivência para a Crise, da Aliança pela Água

01 fev 15
costura
DIY: meu primeiro alforje de bicicleta
por Claudia

Alforje para bicicleta

No final do ano, finalmente saiu do papel uma cicloviagem que venho sonhando em fazer há muito tempo: pedalar do Chuí até Montevidéu, no Uruguai. Sendo uma viagem de bicicleta, o lugar para guardar roupas e bagagem era parte importante da história. Eu poderia ter comprado um alforje, mas apesar do pouco tempo de planejamento, decidi fazer o meu, do zero.

O primeiro passo foi pesquisar modelos e entender como ele se encaixa no bagageiro da bicicleta. Optei pelo modelo mais simples: um saco estanque de cada lado da bike. Pra quem não sabe, saco estanque é um tipo de bolsa feita para proteger roupas, materiais e objetos da água. Simplificando bastante, imagine um saquinho de papel de pãozinho de padaria, que fecha em cima enrolando – mas impermeável!

Olha ele aí… A sobra de tecido na parte superior faz parte do design – serve para dobrar a “boca” umas três vezes e depois prender com o fecho de mochila. Dessa forma, teria roupas secas no caso de chuva e um espaçinho extra no caso de alguma compra.

Alforje para bicicleta

A viagem durou 15 dias e ele aguentou muito bem! É praticamente um protótipo que deu super certo. Não reparem nas costuras tortas ou pontos falhados, que nem escondi nas fotos abaixo.

Eu pretendo fazer um alforje novo, mais bem acabado e com algumas modificações – afinal sempre existem melhorias para implementar na versão 1.0! (ver nota no final do post)

Mas como ele voltou intacto e pronto para uma próxima viagem, decidi compartilhar o passo a passo de como fazer um alforje caso alguém queira experimentar.

Vamos aos materiais:

Alforje para bicicleta

– 2 pedaços de lona impermeável* 75 x 85 cm
– 1 pedaço de lona impermeável* 25 x 50 cm
– 2 placas de EVA 30 x 30 cm e 1 cm de espessura
– 2 fitas de nylon para mochila de 25 cm
– 2 fitas de nylon para mochila de 65 cm
– 2 fechos de mochila na mesma largura da fita

* esse tecido amarelo é na verdade usado como revestimento para banco de moto. Comprei no Brás, em loja de tapeçaria automotiva, na Rangel Pestana, perto do viaduto. Levei um metro (com largura 1,40) e foi suficiente para um alforje e ainda sobraram um restinhos que vou usar para uma necessaire.

Antes de começar o tutorial, vale a pena entender como ele funciona. Esta visão lateral mostra os dois sacos estanque presos por um tecido no meio, que será apoiado no bagageiro. Mesmo cheio, ele fica rígido graças à placa de EVA – dá uma segurança extra de que não vai enroscar na roda traseira, apesar da barra de proteção lateral.

Alforje para bicicleta

Depois do corte do tecido, fitas e EVA nas medidas acima, são 7 etapas de costura e montagem:

Alforje para bicicleta

1. Faça o saco estanque usando o maior pedaço de lona. Com o tecido do lado avesso, faça uma costura inferior e uma no meio, juntando as duas laterais. Você ficará com duas peças de 42 cm de largura e 75 cm de altura

2. Para ganhar volume de profundidade, dobre as pontas inferiores, formando um triângulo e costure

3. Na boca do saco, centralize as fitas de nylon, uma de cada lado, prendendo com alfinetes. Passe duas costuras zigzag para fixar bem. Como a lona que usei não desfiava, não fiz dobra para acabamento

4. Também pelo avesso, costure o pedaço de tecido que será usado para unir os sacos, passando uma costura no meio.

5. Costure também as duas laterais para fechar, agora já no lado direito do tecido. Posicione a fita de nylon no meio. Antes de costurar, meça um espaço que caibam os 4 dedos da mão e marque com giz. Costure apenas as laterais, deixando o centro livre, pois será usado como alça para carregar o alforje

Alforje para bicicleta

6. Posicione em uma mesa (ou no chão) os dois sacos, com a boca de abertura virada um para o outro. Costure a faixa central, usando a fita de nylon para reforço. Veja as medidas na imagem abaixo para facilitar a compreensão

7. Finalize costurando os fechos de mochila na fita, também usando ponto de zigzag

Arforje de bicicleta

Depois de pronto, o teste da bagagem. Coloque suas coisas e veja se está tudo bem! Eu viajei leve, até porque carregar peso significaria mais cansaço ao longo de todos os quilômetros.

Pra quem tiver curiosidade, compartilho minha lista do que foi no alforje: 4 camisetas, 2 calças tipo ginástica, 2 shorts, 1 pijama, 2 biquínis, 4 calcinhas, 2 sutiãs, 4 meias, 1 casaco leve, 1 jaqueta para chuva, 1 tênis, 1 chinelo, kit higiene & banho, kit farmácia, 1 livro, 1 celular, 1 carregador, 1 câmara extra (obs: o kit de bicicleta com ferramentas, remendos, bomba, etc foram em outra bicicleta).

É pouco, fui sucinta, mas sempre que precisava era só lavar roupa e/ou ir na lavanderia. Deu pra me virar muito bem!

Alforje para bicicleta

Separei algumas fotinhos da viagem. Na costa atlântica, o Uruguai é um país bem tranquilo de viajar por ser bem plano. Mas exige um pouco de planejamento, principalmente pelo preparo físico, porque alguns trechos de estrada são bem desertos, no sentido de paradas e postos. Mas nada que uma parada antecipada nos mercadinhos não resolva. Muita água para encher o camelbak, claro. E também frutas, sanduíches leves e empanadas que é sempre bom ter na mochila para qualquer momento de fome e cansaço.

Alforje para bicicleta

Ah… e um destaque para a árvore encapada com lindos crochês que encontrei na entrada da praia de José Ignácio:

Alforje para bicicleta

Esta viagem já é conhecida por muitos brasileiros. Encontrei bastante ciclistas no caminho, nas paradas e na rodoviária (voltei de ônibus no trecho Montevidéu-SP). Para quem quiser “ver” mais, recomendo os relatos da Cuca de Prata, uma ciclista que viajou na mesma época com mais três amigas fazendo o mesmo percurso.

E se alguém quiser tirar dúvidas sobre o alforje (ou sobre a viagem), deixe um recado nos comentários que terei o maior prazer em ajudar ^___^

Alforje para bicicleta

NOTA: sobre as melhorias possíveis neste alfajor (oops, alforje):

1. Faria a base que conecta os dois sacos mais comprida e mais larga, cobrindo 30 x 30 cm atrás de cada saco estanque. Mas deixaria uma abertura na parte de cima para encaixar a placa de EVA – como uma carta em um envelope.
2. Ajustaria as medidas da fita de nylon para não ficar com tanta sobra
3. Colocaria mais faixas refletivas no alforje. Neste atual só tem um pedacinho pequeno que usei para remendar um furo na lona amarela