22 abr 10
tricô e crochê
Hummmmm… merino
por Andrea

merino

Eu antecipei no Twitter que eu tinha recebido amostras de lã de merino made in Brasil e muita gente pirou querendo saber como/onde/quanto custa. Tirei fotos no melhor estilo yarn porn pra acabar com o suspense do merino misterioso. Bem digno, né ? Sim, sim tem aquele cheiro de lã pura e uma textura delícia, que ‘escorre’ entre os dedos. Cá entre nós, depois de um tempo ralando a mão no novelo sintético acho que toda tricoteira merece o luxo de usar fios naturais.Eu mesma de uns anos pra cá comecei a ter acesso a fios naturais pela internet, agora fico achando fios acrílicos meio funhé.

Quem mandou foi uma leitora do blog que é criadora da raça merino australiano lá no sul do país. Recebi um sedex grandão com um bocado da fibra natural já limpa (pra feltrar ou fiar) e dois novelos prontos, um mais fininho e outro de espessura média. Close em um dos bebês, feito em roca de fiar manual:

merino

É MUITO macio. Eu já tingi (assunto pra um próximo post) e vou tricotar algo com ele. Ideias ? Aceito. Mas tem que ser algo pequeno pois só tenho um novelo de cada, mkay ?

Agora vocês já devem estar doidinhas pra saber mais sobre o fornecedor, né ? O nome dela á Andrea Irion e a marca é La Roca Fios Artesanais, de Rosário do Sul-RS. Eu desconfio que ela venda a lã para pessoa física mas não tenho certeza. O problema é que ela mandou o sedex com as lãs e depois….. sumiu. Faz uma semana que eu estou tentando contactá-la por email e até agora, nadica. Se alguém a conhece por favor avise que eu estou tentando falar com ela.

Tricoteiras, uni-vos para encontrar a Andrea do merino !

Prometo que assim que ela aparecer e eu souber de mais detalhes, aviso por aqui.

UPDATE 25/04: Oba! A Andrea Irion apareceu. Ela conta que, juntamente com o marido, cria 2.000 ovelhas das quais 400 carneiros merino australiano. ” O processo é o seguinte: retiramos a lã das ovelhas, selecioamos e mandamos para o lanifício onde é lavada, penteada e fiada. A lã merino é difícil de encontrar no Brasil porque os lanifícios exportam toda a produção para Europa e Estados Unidos. Os fios são feitos na roca de pedal, um trabalho 100% manual feito por um grupo de fiadeiras de Rosário do Sul e Porto Alegre. “

O quilo dos fios custa R$ 90,00 e os novelos de 100g saem em média R$ 9,00 /cada.
O quilo da mecha de fibra para fiar (antes de virar fio) sai R$ 50,00.

Se alguém tiver interesse no merino da Andrea o email para contato é andreairion@hotmail.com

Eu fiquei curiosa e pedi fotos dos carneiros e a Andrea ficou de mandar, eba ! Quero ver a carinha das fontes das minhas luvas (eu fiz luvas com o merino que tingi, ficaram liiiindas, logo mais eu mostro aqui no blog).

********************
Também no Superziper:
Não sabia que merino é um tipo de carneiro ? Dá uma espiada no post sobre os tipos de lãs e aprimore a sua nerdice tricoteira.

14 abr 10
craft tourtricô e crochê
O recife de crochê hiperbólico, dois anos depois
por Andrea

Recife de crochê, 2 anos depoisRecife de crochê, 2 anos depois

Lembram quando, há dois anos, nós postamos aqui no blog sobre o projeto dos Recifes de coral feitos de crochê freeform ? Tive uma boa surpresa quando esta semana recebemos um email da Leandra, nossa leitora que mora em Londres, avisando que o projeto cresceu e andou. Agora ele está no Science Galery, em Dublin. Ela visitou, adorou e mandou fotos !
Recife de crochê, 2 anos depois
Essa exposição esta rodando o mundo todo. Começou em Los Angeles para chamar a atençao das pessoas sobre os frágeis recifes, que estão sendo destruídos pelo homem, pelo aquecimento global e pela poluição.

O projeto foi tão bem aceito, que está rodando o mundo, com grupos de crafters locais fazendo seus próprios corais em crochê, plástico reciclável, beads… “

DSC02696Foto modificada

Interessante ver como o recife rresceu e mudou bastante nestes anos. Quando visitamos a exibição em Londres eles eram basicamente feitos de lã e sucata. Olhando as fotos atuais parece que começaram a usar outros materiais como contas e lã feltrada. Ficou mais sofisticado, ganhou uns brilhos e texturas diferentes.

Ver estas fotos depois de dois anos foi como rever um velho conhecido. Bem que os recifes de crochê podiam chegar aqui no Brasil, né ?
Se você vai passar por Dublin até 11 de Junho, pode ir lá ver o recife ao vivo.
O site do projeto é este aqui.
DSC02702DSC02709
Se você mora fora ou viajou e viu algo que achou super craft (exposição, feira….) e que seja a cara do Superziper, fotografe e mande pra gente por email.
Se o assunto for legal e as fotos estiverem boas a gente posta aqui pra todo mundo ver.
(Todas as fotos detse post by Leandra Costa)
23 mar 10
reciclagemtricô e crochê
Reciclagem de suéteres de lã
por Claudia
Sacolas de novelos reciclados

Em uma viagem recente a Seattle, na costa Oeste dos EUA – aproveitei algumas horas de um domingo para visitar o mercado de rua do bairro de Freemont (um amigo meu que mora na cidade e procura equivalentes de bairros de São Paulo diz que lá é a Vila Madalena). Cheguei bem no fim da feira, ou seja, pessoal cansado, querendo ir embora e prontos para empacotar. Mas deu tempo de descobri a barraca da Leah – a Smart Monkey, que também tem loja virtual no Etsy. Bem humorada, apesar do frio, ela me contou um pouco mais do seu business de uma mulher só, especializado em fios reciclados. Aliás, o estilão dela já aparece no mote da Smart Monkey – “Helping to Balance the Trade Deficit and Save the Planet One Skein at a Time” (simplificando, algo como ajudando a salvar o planeta com uma meada de cada vez)

Assim como quase todas as boas ideias, a sacada dela é simples e fascinante! Ela “produz” fios reciclados a partir de suéteres desmanchados. E daí ela vende tudo bonitinho em em sacolinhas ou avulso, por cor e tipo de fio (de lã, algodão ou fibras mistas).
Achei um ótimo presente para quem sua amiga tricoteira ou que faz crochê e tem um estilo de vida verde, que presta atenção as origens dos produtos.

Os fios vem de roupas compradas em brechós e lojas de usados. O processo de produção inclui lavagem dos suéter (com sabão em pó ecológico), desmanche, pendurar em varais e secagem plana para tirar as marcas dos nós. Detalhe que as malhas de lã natural ela lava só uma vez, para evitar que feltrem.

A Leah achava que tinha que fazer alguma coisa pelo planeta em que vivemos, principalmente no sentido de gerenciar os recursos que a gente tem. Daí ela juntou várias ideias em que acreditava e definiu que a escolha da sua “matéria-prima” deveria seguir estes critérios. Por exemplo, fibras sintéticas ou feitas a base de petróleo poluem o meio ambiente. Então ela dá preferência a suéteres feitos de fibras naturais. Sintéticos, só se as fibras forem uma baixa percentagem da composição do fio. Além disso, ela evita malhas importadas, feitas fora dos EUA, para valorizar o que é produzido dentro de casa e para evitar o déficit no comércio exterior. Ela ainda acredita que dessa forma ainda está garantindo empregos em lojas de roupas de segunda mão, diminuindo a geração de poluentes usados no planeta e a necessidade de se produzir novos produtos. Quem tiver tempo dá uma lida na descrição dos items que ela vende no Etsy. Quando abre uma exceção as regras que ela mesma criou, enche a descrição do produto com explicações do porquê fez isso – tipo essa lã que veio de uma malha feita em Madagascar.

Era uma vez um suéter... Etiqueta do suéter

E as sacolinhas, olha que legal. Uma blusa é desmanchada por inteiro e – dependendo do tamanho – vira 6, 7, 8 novelos. Ela pendura um folhetinho que mostra uma foto da blusa original e na última página ainda prega a etiqueta da roupa. Detalhes que fazem toda a diferença, não acham?

Lã de fibra mista Lã 100% reciclada

Nos novelos, ela tenta ao máximo evitar emendas. Assim, os novelos avulsos são feitos de partes integrais, tipo o braço da blusa, ou a parte de cima ou de baixo do suéter.

Smart Monkey Seattle Broches de lã reciclada

Vejam que no caso de botões eles são vendidos em cartelas. E restinhos de lã viram broches de florzinha. A Carola, do Meu Pintinho Coloridinho, já ensinou o pessoal aqui do Superziper a fazer uma bem parecida de crochê.

Feira em Freemont, Seattle, EUA Em várias cores

Olha aí a barraquinha da feira de Freemont – estava bem frio, reparem que a Leah estava bem encapotada. Mas não me perguntem porque essa cliente estava de manguinhas pra fora !

Se você gostou e não mora nos EUA, pode comprar pelo Esty – manda uma mensagem que ela fala quanto vai custar o envio internacional. Os novelos custam cerca de 6 dólares e a sacolinha na faixa de 30 dólares.

* * *

PS: mais tarde, na mesma feira, conversando com outro expositor, descobri que a Leah era uma das super finalistas para participar do No Reservations, o programa de TV do Anthony Bourdain (adoro!). “Poxa, seria tão legal se tivesse dado certo” – me peguei pensando nisso mesmo conhecendo ela há só 10 minutos, teria dado um bom episódio!

**********************
Também no Superziper: Alguém se lembra que no ano passado a Andrea deu uma de Smart Monkey e resolveu reciclar um suéter de lã? Ela descreveu toda a experiência aqui. Aliás, já que o tema é lã, a gente também recomenda uma visita ao post onde falamos sobre composição de fios e tipos de lã.