
por Cris Paz, blogueira convidada do Superziper
Certa vez, num bate-papo com um consultor de orientação empresarial do Sebrae São Paulo, ele me contou que os negócios nascem, principalmente, a partir de dois pontos: da necessidade ou da visão de oportunidade. Os hobbies encaixam-se no segundo item. Vários indicadores mostram que as chances de sucesso de um empreendedor com este perfil são grandes, pois ele tem profundo conhecimento sobre o mercado que escolheu.
Este argumento é bem verdadeiro, afinal quando escolhemos algo que gostamos, sabemos exatamente o que nos atraiu para aquele hobby. Aí vem a fase que pesquisamos muito sobre o tema, ou seja, viramos grandes conhecedoras do assunto. Só isso já ajuda e muito. Ajuda até a superar algumas dificuldades que possam surgir no caminho do negócio, porque nos sentimos mais confortáveis naquela situação. Mas um alerta, o negócio só tem chance de vingar se tiver carácter estritamente profissional: não vá apenas pelo amor à arte, mas também tenha como objetivo o sucesso financeiro, ai sim suas chances serão realmente boas!
Antes de transformar seu hobby em negócio veja algumas dicas importantes que a Stella Reis Ventura – organizadora da mostra/acessórios, evento de negócios que acontece em São Paulo – destacou para o Superziper:
* Entender o mercado – pesquisar é fundamental e por vários meios: revistas, sites especializados; ver o que a concorrência está apresentando e o que as pessoas estão usando e consumindo; saber o que acontece no setor que seu negócio está inserido.
* Pesquisar materiais, novas tecnologias, antigos materiais vistos por novos ângulos.
* Atualização empresarial – freqüentar cursos, quanto mais informação melhor. O Sebrae tem um cronograma bem vasto de cursos e palestras. São indispensáveis para o empreendedor temas como: lucratividade, ponto de equilíbrio, formação de preço e gestão.
* Criatividade – para aqueles que trabalham com o artesanal com característica local/regional tem que se transformar e buscar uma linguagem universal para atender à demanda do mercado, sem perder sua característica essencial de técnicas e materiais de sua região.
* Organização – o empresário tem que ter uma estrutura mínima. Saber treinar funcionários e delegar para poder crescer.
* Administração – ter noções de administração, saber formar custos e preços, desenvolver uma comunicação com o cliente, trabalhar com metas e objetivos. Por isso a importância dos cursos do Sebrae que citei acima.
* Orientação – procurar órgãos de apoio aos pequenos empresários. Como o próprio Sebrae e entidades como a SUTACO, esta última ligada ao governo do Estado de São Paulo. O processo de cadastramento no órgão até que é simples, mas bem burocrático. Veja as etapas:
– Entrevista: levantamento de dados para compor o perfil do artesão e da atividade artesanal
– Apresentação dos produtos e do fazer artesanal (precisa fazer umas três peças lá ou levar três produtos em fases diferentes, assim eles se certificam que é você mesma que faz seus produtos). Quando eu tirei meu registro de artesã, há um ano e meio, meu avaliador foi um rapaz bem simpátic0. Você já sai com carteirinha e tudo mais!
– Avaliação pela Comissão de Avaliação/Compras
– Emissão da Carteira de Identidade de Artesão e registro no banco de dados.
Com a carteirinha na mão, você pode utilizar os serviços da entidade, como: emissão de nota fiscal, obtenção de microcrédito, cursos e orientação jurídica.
* Profissionalismo – entender que para se tornar um profissional competitivo, tem de abandonar as soluções caseiras. Mas afinal, o que isso quer dizer? Quer dizer que sua marca e você precisam ser profissionais. E isso está num pacote de detalhes: uma embalagem bacana, logo, cartão de visita, um canal de divulgação na Internet (pode ser um blog, Flickr, loja virtual, etc) bem feito, etc. Mas calma, para isso não precisa de um investimento alto. Pelo contrário, com criatividade e muito ralação é possível realizar tudo isso e muito mais.
* Não adianta entrar no mercado com os mesmos produtos e serviços oferecidos pela concorrência, ofereça algo novo ao consumidor.
* Não permita que o lado emocional, do qual o hobby está envolvido diretamente, pese mais no negócio.
* Cuide para não misturar a pessoa física com a jurídica.
No nosso próximo bate-papo apresentarei à vocês o trabalho de uma estilista que valoriza em suas coleções as técnicas das antigas costureiras. Até la !
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