07 maio 09
inspiraçãooutros bla bla blas
Eu Que Fiz
por Claudia

Eu Que Fiz (ao quadrado)

O Eu Que Fiz, da Editora Abril, foi um livro que marcou demais a minha infância. Acho que junto com a revista Recreio, foram as publicações impressas que mais moldaram meu futuro craft. Folhear o  Eu Que Fiz era meu passatempo favorito de fim de semana. De tamanho grande, eu olhava as páginas atrás de “coisas legais” para fazer em casa – naquela época eu ainda não usava a palavra inspiração. O tempo passou, eu cresci e o livro ficou anos esquecido lá no fundo da minha memória até que aconteceram duas coincidências:

1) Um dia a Andrea me aparece com o livro em casa. Descobri que ela também tinha! E melhor, guardou até hoje ! O livro dela está todo sujo, cheio de orelhas e amassos, prova de que foi muito bem usado. Investigamos a origem e descobrimos que ele era uma tradução para o português do livro da autora americana Felicia K.Law  mas ela nem está creditada na capa.

2) No ano passado eu ganhei de uma colega de trabalho um outro livro Eu Que Fiz. Trata-se da versão “anos 2000” feito  das designers – e irmãs gêmeas – Ellen e Julia Lupton. Foi laçado aqui no Brasil pela editora Cosac & Naif).

Foi aí que tivemos a idéia de comparar as duas versões. Em geral, a segunda não tem nada a ver com a primeira. Fiz uma seção de fotos dos dois pra vocês verem e compararem comigo:

Semelhanças:
Crianças dos anos 70 de hoje são essencialmente as mesmas e gostam das mesma coisas. Muitos projetos se repetem só que cada um com a roupagem da sua época.

Livros: Colagem

No livro antigo, a colagem era feita com fotos de revista e bastante humor – reparem nos homens usando roupa de mulher! O livro antigo tinha um humor meio nonsense, a gente achava  o máximo. No livro novo, uma versão politicamente correta do scrapbook versão infantil.

Livros: caixa de surpreas

Caixas enfeitadas. Isso no livro antigo era um dos meus projetos favoritos: a caixa de surpresas. Bastava encapar uma caixa de sapatos com recortes, desenhos e fotos, abrir um buraco na tampa do tamanho da mão e encher a caixa com objetos de diferentes texturas e formatos. Sugeriam coizas bizzaras como um pedaço de espaguete cozido (!!??). No livro novo, a caixa de sapatos vira uma caixa para guardar coisinhas, com as fotos bem centralizadas, coladas bem retinhas.

Livros: Boneca de pano

Brinquedos de pano. No livro antigo, a sugestão era uma boneca folk ( hippe?) feita com tecido. Já o livro novo mostra como fazer plushies estilo toy art.

No antigo, uma boneca miniatura feita com pregador de roupa. A execução é praticamente a mesma nos dois livros. Eu vi este tipo de bonequinha recentemente no Flickr. Quem achou que era novidade, se enganou.
Livros: Cidade de papel

Cidades de papelão. No livro antigo, muito reaproveitamento de embalagens e uma visão meio ‘playcenter’ do futuro. No livro novo, papel e pintura reconstroem mini cidades. Me lembrou muito a cidade de papelão que o Michel Gondry fez para o filme Science of Sleep.

Livro: Vaso de disco

Aqui está o melhor contrastes de mídias na moda de cada época. O livro antigo ensinava a fazer um vaso a partir de um LP derretido. Já o livro novo ensina a fazer um fundo de tela para o computador, usando conceitos de padronagem digital.

Mais diferenças: Velho Vs. Novo:
tamanho: gigante X pocket
páginas: 250 X 60
capa: dura de papelão X multiuso e com joguinho de memória para recortar
visual: psicodélico e com um toque lisérgico 70 X atual e modernete
ilustrações: 100% ilustrado a mão X fotos e mais fotos

E aí, será que mais alguma crafter por aí tinha o Eu Que Fiz da Abril? Ele te influenciou a fazer projetos malucos ? A Andrea manda dizer que ela adorava o “Aquário” e as “Caretas” e sim, ela chegou a fazer ambos.

Tá agora podem chamar a gente de tia e de saudosita. Mas por razões sentimentais a gente ainda prefere o Eu que Fiz psicodélico da Abril.

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Também no Superziper: Se você ainda guarda aquele lençol estampado da época que era criança que tal transformá-lo num softie ? Se está com dó corta só um pedacinho dele :)

06 maio 09
craft tour
Só no Japão: Loja para cães fashion
por Andrea

Quando eu estava a caminho da Junie Moon, a loja oficial das Blythes, em Tóquio eu sem querer acabei descobrindo  outra loja fofa, no mesmo bairro de Daikanyama. Aliás este é um bairro que super vale visitar se um dia voce planejar ir ao Japão – não é tão óbvio ou turístico. Mas em Daikanyama você encontra pequenas butiques e lojinhas tanto na rua princial como nas ruazinhas paralelas. É neste bairro você vai encontra a filial japonesa da cultuada marca britânica Cath Kidston, por exemplo. E é também em Daikanyama que fica a butique para cães Harness Dog, provavelmente uma das mais fofa do mundo no segmento.

Dá só um look no manequim que estava na vitrine no dia que eu fui na loja:

harness dog

Não é demais ? Tirei também este outra foto.
Nesta viagem comprovei que os Japoneses (talvez seja melhor dizer os Toquiotas) são apaixonados pela raça Chihuaua, aqueles que são os menores cães do mundo. Sem dúvida eu acho que é uma raça muito meiga e portátil, o tipo de cachorro ideal para encher de firulas e adornos fofinhos.  E de olho neste segmento a Harness Dog criou várias linhas de roupinhas especiais para os cães desta raça. Não tenho certeza se as roupas são handmade mas parecem ser. São em geral muito bem feitas, com um visual que me lembra roupinha de criança e de boneca. Muito rosa e muita estampinha miúda, bordadinhos e poás.

harness dogharness dog

Veja que cute estes vestidinhos bordados, no estilo Nórdico. Vai me dizer que não lembram a Heidi das Montanhas ? E os “blings” com pingentes  ? Reparem nos Labradores de colte na porta da loja, pra mostrar que os cães grandões também podem ser fashion.

Investigando na web descobri que a marca Harness Dog já abriu uma filial no Soho em Nova Iorque, que virou a sensação local entre os donos de cães. O destaque lá, como não podia deixar de ser, também são os manequins de Chihuahua e seus modelitos exclusivos.

Espero que vocês estejam gostando dos meus posts sobre o Japão. Como vocês sabem eu já estou de volta mas trouxe muita novidade e curiosidades para ir postando aqui em doses homeopáticas!
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Também no Superziper: Já que estamos falando do que é quente no Japão leiam este post sobre o código QR.
05 maio 09
blogueira convidadaoutras técnicas
Especial: Conheça a impressora Gocco
por Claudia

Depois do post sobre métodos de impressão artesanal feito pela Ana Matusita eu fiquei com gosto de quero mais. Foi aí que lembrei de um método que eu pessoalmente acho bárbaro: a impressão com Gocco. A única Brasileira que eu conheço que é proprietária de uma Gocco é a minha ‘quase xará ‘ Andreia, da Monjojo. Claro que entrei em contato e ela mais que na hora topou nosso convite para fazer um post especial desvendando os mistérios da maquininha para os crafters Brasileiros. Aposto que vocês tinham curiosidade assim como eu :)

Com vocês Andreia e sua super Gocco:

Gocco, ter ou não ter

Fotos e texto por Andreia Miyagui, da Monjojo

Quem na vida não gosta de praticidade? No mundo craft não é diferente. Eu acho que tudo o que visa facilitar a nossa vida é bem-vindo e é aí que entram as maquininhas adoráveis que fazem maravilhas (basta um pouquinho de criatividade).
Muitos de vocês já devem ter ouvido falar da impressora Gocco, que é uma alternativa a serigrafia. O produto é japônes, foi inventado por Noboru Hayama em 1977, para ser uma máquina caseira que imprimisse cartões de natal, aniversário e outros mimos. Lembre-se de que naquela época não existia a impressora doméstica !

Hoje, basicamente a Gocco se destina a quem quer fazer serigrafia em casa mas não tem o espaço necessário para todos os equipamentos que a serigrafia pede.

O básico da Gocco

O que ela faz: Pequenas serigrafias. Ela usa lâmpadas de flash para “queimar” a tela a partir de uma imagem xerocada ou impressa a laser. Uma vez que a tela está pronta, basta aplicar a tinha de sua escolha e colocar a tela na Gocco para começar a impressão. Na base da Gocco, tem uma almofada “grudenta” onde você posiciona o papel a ser serigrafado. Por fim, basta pressionar a parte de cima da Gocco para baixo, para “carimbar” a imagem no papel. O processo pode ser repetido diversas vezes (cerca de 50 a 75 impressões). Esta foto eu fiz quando imprimia um produto que criei para a minha loja, o caderno de costura Sew U.

Este é um dos tipos de Gocco

Tipos de Gocco: Existem vários modelos e todos eles conseguem imprimir tanto em papel quanto em tecido. Isso vai depender dos suprimentos adquiridos. Existem vários modelos, mas podemos dividí-los em dois grupos de acordo com o tamanho de impressão.

Gocco: tabela de uso

Tela: As telas podem ser reutilizadas desde que sejam limpas com um produto da Riso feito especialmente para isso, o gocco ink cleaner. Eu já fiz isso e reutilizei telas sem problemas.

Ouvi dizer de casos em que a impressão não ficou legal. Isso geralmente acontece quando a pessoa não usou o produto para limpeza, apenas guardou a tela com o restante da tinha dentro de um ziplock na geladeira e usou novamente depois de alguns dias. Sei de algumas pessoas que conseguem usar com esse método sem problemas, outras não. Tudo indica que depende da maneira como é feita a limpeza.

Cores de tintas para Gocco

Cores: Existe uma variedade imensa de cores disponíveis da Riso, inclusive metálicas. Não é aconselhável usar outro tipo de tinta (por ex. a específica para serigrafia) se você for um iniciante. Você pode usar diversas cores na mesma tela desde que os desenhos sejam distante o suficiente para não mesclar as cores. Uma alternativa é queimar mais de uma tela.

Gocco: exemplo de duas telas

Veja a foto acima, a capa do meu caderno de receitas Lovely Recipes. Como as cores ficavam próximas demais, queimei duas telas.

Gocco: tecido, feltro e madeira
Exemplos de impressões da Gocco em tecido, feltro e madeira

Onde imprimir: papel, tecido, feltro, madeira, plástico, metal e cerâmica. Eu só testei em papel, mas já vi trabalhos impressos em diferentes superfícies.

Gocco: capas de caderno monjojo
Impressões em papel pardo para capas de caderno monjojo

O futuro da Gocco: Uma má notícia. Ironicamente, no momento em que a Gocco caiu nas graças dos crafters ocidentais (em meados de 2000), a empresa anunciou que pararia de fabricar as máquinas e todo o resto. Aparentemente a causa foi a queda nas vendas causada pelo desinteresse da população japonesa.A empresa anunciou que teria estoque suficiente para os próximos 3 anos, o que gerou uma comoção geral e protestos.

Caminhos alternativos estão sendo pesquisados pelos usuários, uma vez que os suprimentos irão se esgotar. Para as lâmpadas, infelizmente, ainda não foi encontrado um substituto eficaz.

Para as telas já existem algumas alternativas. Uma delas são as telas da PhotoEZ que não necessitam de lâmpadas, a tela é queimada através do sol, mas cujo nível de detalhes da imagens não é tão bom quanto a Gocco. Ainda quero testar essas telas pois elas seriam uma alternativa mais ecológica ao método tradicional da Gocco.

Da minha experiência utilizando a Gocco, tirei algumas conclusões pessoais que compartilho com vocês.

Vantagens:
– Ocupa pouquíssimo espaço;
– Não faz sujeira;
– Não precisa usar emulsor e outros solventes químicos;
– Facilidade de aplicação;
– Variedade de cores;

Desvantagens:
– Preço elevado da máquina;
– Todos os suprimentos são importados (e caros);
– Cada vez que a tela é “queimada” as lâmpadas utilizadas no processo não são reutilizáveis e são tóxicas para o meio ambiente;
– O tamanho da impressão é limitado;

Como conseguir uma Gocco:
A minha Gocco veio dos Estados Unidos. Um amigo trouxe de pessoalmente lá, para economizar o frete e evitar problemas de tarifação via correio. Apesar de não estar mais disponível para venda diretamente do fabricante se você realmente estiver a fim é possível encontrá-la em sites de leilão como o Ebay ou o Yahoo Japan. Se você acha que a Gocco é realmente a impressora certa é só correr atrás que um dia você consegue a sua :)

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Também no Superziper:
* O Diário Sew U e o Caderno Lovely Recipes, que ilustraram este post, nascem das mãos talentosas da Andreia no seu pequeno estúdio de impressão. Também adoro as ilustras que ela faz , mas sou suspeita pra falar. Já tenho o print do Girl With a Ballon decorando a minha sala e estou namorando esta Chapeuzinho Vermelho emburradinha .Vejam estes e outros itens bacanas demais na lojinha Monjojo no Etsy.

*Ainda na dúvida sobre a Gocco ? Dá uma olhada no Grupo Gocco no Flickr e veja mais exemplos de trabalhos feitos com a impressora. Rolam também dicas de uso e alguns classificados de vendas (opss , não tá aqui quem falou heim )