O Eu Que Fiz, da Editora Abril, foi um livro que marcou demais a minha infância. Acho que junto com a revista Recreio, foram as publicações impressas que mais moldaram meu futuro craft. Folhear o Eu Que Fiz era meu passatempo favorito de fim de semana. De tamanho grande, eu olhava as páginas atrás de “coisas legais” para fazer em casa – naquela época eu ainda não usava a palavra inspiração. O tempo passou, eu cresci e o livro ficou anos esquecido lá no fundo da minha memória até que aconteceram duas coincidências:
1) Um dia a Andrea me aparece com o livro em casa. Descobri que ela também tinha! E melhor, guardou até hoje ! O livro dela está todo sujo, cheio de orelhas e amassos, prova de que foi muito bem usado. Investigamos a origem e descobrimos que ele era uma tradução para o português do livro da autora americana Felicia K.Law mas ela nem está creditada na capa.
2) No ano passado eu ganhei de uma colega de trabalho um outro livro Eu Que Fiz. Trata-se da versão “anos 2000” feito das designers – e irmãs gêmeas – Ellen e Julia Lupton. Foi laçado aqui no Brasil pela editora Cosac & Naif).
Foi aí que tivemos a idéia de comparar as duas versões. Em geral, a segunda não tem nada a ver com a primeira. Fiz uma seção de fotos dos dois pra vocês verem e compararem comigo:
Semelhanças:
Crianças dos anos 70 de hoje são essencialmente as mesmas e gostam das mesma coisas. Muitos projetos se repetem só que cada um com a roupagem da sua época.
No livro antigo, a colagem era feita com fotos de revista e bastante humor – reparem nos homens usando roupa de mulher! O livro antigo tinha um humor meio nonsense, a gente achava o máximo. No livro novo, uma versão politicamente correta do scrapbook versão infantil.
Caixas enfeitadas. Isso no livro antigo era um dos meus projetos favoritos: a caixa de surpresas. Bastava encapar uma caixa de sapatos com recortes, desenhos e fotos, abrir um buraco na tampa do tamanho da mão e encher a caixa com objetos de diferentes texturas e formatos. Sugeriam coizas bizzaras como um pedaço de espaguete cozido (!!??). No livro novo, a caixa de sapatos vira uma caixa para guardar coisinhas, com as fotos bem centralizadas, coladas bem retinhas.
Brinquedos de pano. No livro antigo, a sugestão era uma boneca folk ( hippe?) feita com tecido. Já o livro novo mostra como fazer plushies estilo toy art.
No antigo, uma boneca miniatura feita com pregador de roupa. A execução é praticamente a mesma nos dois livros. Eu vi este tipo de bonequinha recentemente no Flickr. Quem achou que era novidade, se enganou.

Cidades de papelão. No livro antigo, muito reaproveitamento de embalagens e uma visão meio ‘playcenter’ do futuro. No livro novo, papel e pintura reconstroem mini cidades. Me lembrou muito a cidade de papelão que o Michel Gondry fez para o filme Science of Sleep.
Aqui está o melhor contrastes de mídias na moda de cada época. O livro antigo ensinava a fazer um vaso a partir de um LP derretido. Já o livro novo ensina a fazer um fundo de tela para o computador, usando conceitos de padronagem digital.
Mais diferenças: Velho Vs. Novo:
– tamanho: gigante X pocket
– páginas: 250 X 60
– capa: dura de papelão X multiuso e com joguinho de memória para recortar
– visual: psicodélico e com um toque lisérgico 70 X atual e modernete
– ilustrações: 100% ilustrado a mão X fotos e mais fotos
E aí, será que mais alguma crafter por aí tinha o Eu Que Fiz da Abril? Ele te influenciou a fazer projetos malucos ? A Andrea manda dizer que ela adorava o “Aquário” e as “Caretas” e sim, ela chegou a fazer ambos.
Tá agora podem chamar a gente de tia e de saudosita. Mas por razões sentimentais a gente ainda prefere o Eu que Fiz psicodélico da Abril.
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Também no Superziper: Se você ainda guarda aquele lençol estampado da época que era criança que tal transformá-lo num softie ? Se está com dó corta só um pedacinho dele :)







































