19 fev 09
blogueira convidadacostura
Como fazer patchwork: Desconstruindo o Nine Patch
por Andrea

 

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Por Divânia Nogueira , blogueira convidada

O patchwork parece um trabalho um tanto complicado, não é mesmo? Mas aqueles retalhinhos super simétricos não são costurados um a um, como pode parecer a primeira vista. Na verdade, o efeito é possível graças a técnicas básicas de blocos, que estão ao alcance de todas, até das iniciantes.

Hoje vamos mostrar  como montar um bloco básico, conhecido como Nine Patch. Ele não precisa nem de molde e tem um visual muito bacana. Como o nome já diz, são nove pedaços de tecido, no caso, quadrados iguais, que formam um bloco. Embora a forma básica do bloco seja simples, existem muitas maneiras de variar o nine patch. Depois use o seu bloco para fazer colchas, trilhos de mesa, bolsas, panôs, painéis com aplicações e por aí vai. São muito versáteis
Vamos à ele ? Para um bloco  Nine Patch de 30 cm, você vai precisas de :
– Retalhos de nove tecidos de algodão de estampas variadas
– Máquina de costura
– Base de corte,
– Régua
– Cortador circular
– Ferro de passar.

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1. Primeiro prepare, passando todos tecidos a ferro.
Em seguida, corte nove tiras de 11,5cm de largura. Se for usar base de corte e cortador circular, atenção para a posição da mão sobre a régua. O cortador deve estar ao lado e não sobre a régua (dica de segurança!).
2.Costure à máquina três jogos de três tiras cada, deixando margem de costura de 0.75 cm.
Em seguida corte “fatias” de cada um dos dois jogos, cada fatia novamente com 11,5 cm de largura.

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3. Agora costure os grupos de quadrados de cada um dos três jogos. O resultado deve ficar como a foto 3, um bloco de nove quadrados, cada um com uma cor diferente. Este é o Nine Patch própriamente dito, em sua forma original – um bloco de tecido de 9 quadrados, em 3 colunas e 3 linhas.
4. Agora chegou o momento emocionante , a desconstrução do Nine Patch !
Com ajuda de cortador circular e régua, corte o bloco no meio, na vertical e na horizontal em forma de “cruz”. U-hu, você fez um Four Patch.
5. Gire quatro quadrados, formando um novo bloco, com combinações de tecidos diferentes. Na primeira foto do post estão algumas possibilidades
Não esqueça de abrir cada costura a ferro depois de finalizada, para dar um bom acabamento.

E não acaba por aí. O próximo passo é finalizar o trabalho, criando uma borda ! Vão praticando até o próximo post.

E MAIS:

* É possível fazer o mesmo bloco usando apenas duas cores de tecido e mesmo assim conseguir um efeito legal, veja estas fotos.

* Quer um desafio a mais ? Depois de fazer o Nine Patch tradicional porque não tentar fazer o Nine Patch maluco ? Do blog All Sorts (em inglês )
10 fev 09
blogueira convidadacostura
Como costurar couro, por Giselle da Gergelim
por Andrea

Courvim: texturas variadas

Por Giselle Medeiros, da Gergelim , blogueira convidada

Eu adoro acessórios em couro – bolsas, carteiras, sapatos, broches – acho que eles dão uma super valorizada no visual. Quando entrei nesse mundo da costura, descobri que o couro sintético tem preço similar aos tecidos e que com um pouco de técnica, é possível produzir acessórios tão bonitos quanto os que eu via nas lojas.

Os couros sintéticos são produzidos a partir de fibras como nylon, poliéster e poliuretano – todas derivadas do petróleo. Existem vários tipos de couro sintético e os nomes podem variar de acordo com a loja, o vendedor, etc. A impressão que dá é que as próprias lojas não sabem muito sobre o produto que estão vendendo, chega a ser frustrante. O couro sintético pode ser encontrado em casas de couro, tapeçarias e lojas de tecidos para decoração e estofamento.

Vários tipos de couro sintético Courino frente e verso
Na primeira foto, diversos tipos de couro sintético. Na seguinte, uma amostra de courino, frente e verso (flanelado)

Os vários tipos de couro sintético 

Courino
O courino, ou courano, tem textura semelhante ao couro legítimo, possui grande variedade de cores, é mais grosso pois o seu verso é flanelado. É fácil trabalhar com ele, sua textura facilita o deslize na máquina. Só não é bom para apliques, pois como o verso é flanelado e branco, a borda fica com o acabamento ruim, o branco fica aparecendo. Custa entre R$ 10,00 e R$ 14,00 – preços de BSB.

Courvim
O courvim pode ser encontrado mais liso, com pouca textura ou bem texturizado. A variedade de cores disponível nas lojas costuma ser mais limitada. O seu verso é liso, portanto, é adequado para apliques. Custa entre R$ 15,00 e R$ 18,00.

Courvim: texturas variadas Napinha e couro naval, frente e verso
Na primeira foto, várias texturas. Na seguinte, uma amostra de napinha

Couro naval
O couro naval é muito parecido com o courvim: tem texturas variadas e verso liso. A diferença é que ele pode ser utilizado em produtos que serão molhados – é muito utilizado em estofamento de móveis para exterior e de barcos. Custa entre R$ 18,00 e R$ 22,00.

Napinha
A napinha é um couro bem fininho, pouco texturizado, quase liso na verdade, parece mais um plástico. É o mais barato, custando de R$ 6,00 a R$ 8,00 o metro. É difícil de trabalhar por ser muito liso, não desliza bem na máquina. Por ser muito fino, em cores claras é possível ver o traço do molde no verso.

Agora vamos falar sobre o corte das peças e a costura:

Ferramentas

. Normalmente eu utilizo lápis para traçar os moldes. Caneta também pode, mas muito cuidado pois elas podem manchar. Traço sempre no verso do couro.

. Para cortar eu utilizo uma tesoura dessas multi-uso. É importante ter uma tesoura só parar cortar couro, outra só para tecido, outra só para papel. Dessa forma você conserva melhor o fio de corte delas. Eu não tenho cortador circular nem base de corte, então não vou poder falar sobre isso. Também utilizo uma tesourinha de cortar linhas para finalizar as costuras.

. Para segurar as peças no lugar durante a costura, eu utilizo clipes de papel, pregadores de roupa e alfinetes. Atenção: utilize o alfinete somente nas margens de costura, pois o furo é irreversível.

. Dependendo do trabalho, é necessário colar antes de costurar. Por exemplo, se você for costurar uma margem muito estreita, fica complicado segurá-la somente com clipes ou pregadores. Sugiro usar um cola antes quando for mexer com peças pequenas como flores e laços ou fizer apliques de couro com couro. Eu costumo usar adesivo de contato – mais conhecido como cola de sapateiro.

 

Mexendo com couro: Ferramentas Mexendo com couro: Colas de contato
Ferramentas e colas de contato: Cascola Tradicional 200g, Cascola Extra Sem Toluol 30g, Cascola Extra 30g e Colabras 30g

Sobre colas
A marca mais famosa é a Cascola, da Henkel. Eu também já utilizei a Colabras da Brascola e pra mim a qualidade é a mesma. Eu escolhi trabalhar com a Cascola, pois existe a opção sem toluol – não tem aquele cheiro horrível e nem faz mal ao ser inalada. Você pode adquirir essas colas em latas ou bisnagas, em lojas de materiais para construção. As latas são bem mais baratas, mas é difícil trabalhar com elas, você precisa de uma espátula, faz meleca, é difícil de tampar e a cola acaba endurecendo e estragando na lata. As bisnagas são bem mais caras, mas muito práticas. O problema é que a bisnaga de Cascola sem toluol tem uma tampinha de plástico que sempre quebra, então eu sempre remendo as minhas com durex.

A hora da costura
. Para costurar utilize linha de poliéster e agulha (pode ser a Singer 2020) de n° 16 ou 18. Utilize pontos largos e diminua um pouco a tensão da máquina. Normalmente eu costuro com ponto 4 e tensão 3.

. Para facilitar a costura, é bom utilizar um pé de teflon. Ele desliza mais facilmente sobre o couro. É fácil encontra-lo em armarinhos ou lojas especializadas em máquinas de costura. Paguei R$ 10,00 no meu da Singer. Hoje ele está meio de lado, pois minha máquina nova (Janome 8077) utiliza pés do tipo snap-on e esse da foto é do tipo low shank. Então é bom observar o tipo de pé calçador da sua máquina antes de comprar um.

. Se ainda assim continuar difícil deslizar o couro pela máquina, eu utilizo talco. O meu fica em uma latinha de pastilhas Valda e eu utilizo um pincel pequeno de maquiagem, desses bem baratinhos, para passar o talco no couro. Passe somente onde o pé da máquina precisa deslizar, em pouca quantidade e somente sobre o couro. Eu já usei óleo (daqueles Jonhson & Johnson), mas faz uma certa bagunça, a mão fica melecada e atrapalha o trabalho. Há quem use creme ou papel de seda, mas esses nunca testei. Tanto o talco quanto o óleo não causam nenhum dano ao couro ou á máquina. Depois, basta limpar com um pano úmido.

Recomendação final
É preciso ter cuidado ao costurar com o couro e treinar bastante, porque uma vez desfeita a costura, os furos ficarão ali. Então comece primeiro com projetos simples, e teste o ponto, a tensão, a agulha, a linha, o pé calcador em um retalho, antes de começar a costura.

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Espero que achem esta dicas úteis e se animem a criar com couro ! Termino o post mostrando uma das bolsas que fiz para a Gergelin, minha grife.

Gostou ? Veja mais aqui :)

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Também no Superziper: Já ensinamos como se faz matelassê. Acha que é difícil ? Não é não, está tudo bem explicadinho.

06 fev 09
blogueira convidada
Blogueiras convidadas: Divânia e Giselle
por Andrea
Como neste mês completamos dois anos resolvemos ser numericamente coerentes e chamar também duas pessoas também na seção de blogueiras convidadas para fazer o nosso troca troca de figurinhas craft.  
E resolvemos fazer um, digamos assim, encontro de duas gerações ! Porque uma coisa boa da web e que está unindo um grupo enorme de crafters brasileiros, de todas as idades e perfis. Nós adoramos isso e acho que aprendemos muito com esta mistura boa. 
Estas duas convidadas nós conhecemos através do grupo do Superziper no Flickr. Uma tem apenas 20 anos e é empreendedora, criativa, antenada e fashion. A outra  já tem mais kilometragem de vida mas tem uma empolgação contagiante para tudo que é craft, especialmente a costura e patchwork. 

Eu ia escrever sobre elas mas achei melhor cada uma se apresentar, do seu jeito e com as suas próprias palavras:

Giselle Medeiros, da Gergelim, por ela mesma :

Tenho 20 anos e nasci e moro em Brasília. Faço faculdade de Arquitetura e Urbanismo e posso dizer que design é a minha paixão – seja na própria arquitetura, no design de interiores, de mobiliário, de moda, design gráfico, webdesign… amo muito tudo o que envolve o processo criativo. E amo trabalhar com as mãos: desenho e costura são meus hobbies favoritos. Outra paixãoé a música: eu amo o bom e velho rock ‘n roll. Um dia sem ouvir Beatles pra mim é um dia sem cor. Eu também sou um tanto nerd, passo horas no computador e desde cedo aprendi a fazer sites, dominar o Photoshop etc. Mas também sou um tanto “mulherzinha”, adoro roupas, sapatos, compras, maquiagem. Sonho em ter meu próprio escritório de arquitetura e casar com meu namorado.

Meu interesse por crafts começou porque minha mãe tinha uma Singer Pressomatic 964, dos anos 80, e quando eu descobri isso, lá pelos meus 14 anos, ela desenterrou a máquina e me ensinou a costurar. No começo eu customizava roupas, fazia consertos, depois fui aprimorando. Em 2006 quando entrei na faculdade, fiz o Estojo Arquiteto  para mim mesma e o sucesso entre os colegas foi tanto que surgiu a minha marca a Gergelim. Hoje tenho uma loja online onde vender os meus produtos handmade – acessórios, bolsas e chapéus. O meu maior projeto atual é lançar o meu próprio site www.gergelim.com.br e investir mais no desenvolvimento de bolsas para a minha marca. Para o futuro, ainda não tenho planos certos. Por mais que eu ganhe dinheiro com crafts eles serão sempre o meu hobby, o que eu faço nas horas vagas pois a faculdade e a carreira em arquitetura ainda vêm em primeiro lugar.

Divânia Nogueira, por ela mesma:

Olá meninas,muitas de vocês já me conhecem de outras paragens :) .
Quando a Andrea me chamou para essa comemoração de aniversário do blog, quase caí da cadeira. Foi uma sensação deliciosa, a mesma de ganhar um presente há muito desejado. Então para este post de apresentação vou também contar como foi que aconteceu a costura,os paninhos, o artesanato em minha vida. 
Eu sou filha adotiva, vivia no interior de São Paulo,Minas , Goiás e outras cidades, porque meu pai era caminhoneiro e trabalhava em uma empresa de transporte de gado. Como em toda casa interiorana, lá no canto da sala, de todas as casas que vivemos, estava uma SINGER ( a pretinha, claro!). Era sempre a primeira peça a entrar no caminhão da mudança, e a última a sair, prá que nada nela se quebrasse.Ela estava presente em todos os momentos: no conserto da roupa, na feitura dos panos de prato, nas calcinhas que usávamos feitas em casa, toalhas de banho,lençóis….. A minha mãe tinha um ciúme absurdo dessa pretinha!
Mas, a “curiosona” aqui, todas as vezes que ela saía, lá ia eu costurar, isso desde os sete anos. Eu quebrava agulhas e ela nunca descobria o que tinha acontecido mesmo que uma coisa ou outra que denunciasse que eu tinha mexido na máquina.
Hoje fico pensando se a minha mãe não saía de propósito, sabendo que em mim estava nascendo algum talento para costura que no final darim um bom destino á sua pretinha. Muito mais tarde, já longe daquele lar, com filhos prá criar,divorciada, já dava sempre um jeitinho de fazer as minhas próprias roupas e das crianças.Nesse período, conheci os coloridos  trabalhos de Patchwork, arte que estava muito longe do meu alcance,tanto por falta de tempo, quanto por falta de recursos, para me aventurar nisso como hobby.
Há pouco mais de dois anos, consegui fazer um trabalho de patch tortinho, sem técnica, sem noção nenhuma . Mas, ficou lindo! Aí não parei mais.Ganhei um curso de oito aulas (o básico!) e de resto virei auto didata. Também aprendo com a generosidade e carinho das muitas amigas que fui encontrando nesse mundo virtual. Tenho tudo a agradecer, muito a compartilhar, pois recebi muito.
Ah querem saber que fim levou a  PRETINHA? Está aqui comigo. É com ela e mais uma (antiguinha também, a Singer 666!) que ainda  faço meus trabalhos. A mãe já se foi na forma física, mas, aposto que tá muito feliz pelo destino que dei a sua máquina :)

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A Gi e a Di  (rimou ?!) vão estar blogando com a gente aqui no Superzíper durante o mês de fevereiro. Já adianto que a Giselle vai falar sobre costura em couro e a Di vai mostrar blocos de patchwork para iniciantes.

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Também no Superziper: Clique aqui  para ler o que as outras blogueiras convidadas escreveram no ano passado.