06 nov 08
blogueira convidadatricô e crochê
Uni-duni-tê, agulhas de crochê
por Andrea

Por Carola Rodrigues, blogueira convidada.

Ei, todo mundo! Este mês, como já falaram, sou a blogueira convidada, para falar de crochê.

Desde que as meninas me fizeram o convite, eu fiquei pensando no que postar. E olha, escarafunchei minhas memórias, para achar coisas que não fossem complexas demais para só um post, mas que também não fossem simplérrimas. No final acho que encontrei assuntos legais. Enton, vamos ao primeiro?

06112008_agulhas

Aqui em cima a gente tem vários tamanhos de agulha, de (quase) todos os tipos: basicamente, alumínio e aço, para trabalhos com linhas fininhas e robustas, com cabo plástico ou de madeira, com cabo comum. Mas prá que tanta variedade?
Porque tem materiais mais adequados para trabalhar com cada tipo:

* De alumínio é indicada para trabalhos mais leves, com trama aberta ou onde possa ser usado um ponto mais frouxo. São as mais comuns, para tamanhos maiores, no Brasil;
* De aço casa bem com um trabalho que precise de um ponto firme e fechado;
*Com cabo de plástico tem uma pega melhor e cansam menos a mão (são inclusive indicadas para quem tem artrite);
* Agulhas longas (não dá para ver na foto mas as duas últimas à esquerda são assim) são feitas para crochê tunisiano, uma cruza de crochê e tricô.

No final, acredito, é um pouco para agradar a todos, também. Afinal, quem não tem aquela agulha/tecido/fita/máquina/etc do coração, mesmo que todo mundo fale que é “a pior coisa do mundo para se trabalhar”?

Fiz também dois trabalhos, com diferentes tamanhos de agulhas, para mostrar a diferença que faz quando usamos o tamanho indicado no rótulo e uma outra, maior. Não usei nenhuma menor porque ia me dar gastura!

Dá uma olhada nessa primeira flor, um trabalho que tem um mínimo de elaboração:

06112008_flores_tamanhos

Na foto indiquei o tamanho da agulha usada em cada exemplo. Acho que deu para sentir a diferença de tamanho e que, nesse caso, não causou, digamos assim, algum demérito na receita. No caso, a agulha indicada para a linha é de 2,5, como a da peça à esquerda.

Agora dá uma olhada nessa, bem mais simples, com três tamanhos distintos de agulha:

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Veja como a da esquerda está com pontos largos demais, “sobrando”, enquanto as da direita e do centro se mostram com pontos mais “justinhos”. Usei uma linha com agulha 2,5 mm sendo indicada, novamente.

Para ver onde está o tamanho indicado correto, olhe o rótulo, como na foto. Geralmente eles mostram tricô, crochê e tear. Caso não haja indicação, ligue ou envie e-mail para o fabricante que eles possuem essa informação (e sabe-se lá porque não a puseram à vista).

06112008_TAMANHO_AGULHA

E aí, curtiram? Agora vocês que são iniciantes já podem ter uma idéia sobre qual tipo de agulha escolher. Para a semana que vem estou preparando algumas receitas de crochê e customizações, me aguardem :)

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Tambem no Superziper: Aprendas a fazer cerejinhas de crochê. Uma receitinha boa para inciantes !

05 nov 08
blogueira convidada
Blogueira convidada: Carola, do Meu Pintinho Coloridinho
por Andrea

Pintinho Coloridinho

Coube a mim a tarefa de apresentar a blogueira convidada do mês. Tarefa fácil pois como não podia deixar de ser trata-se de mais uma crafter escolhida a dedo e de quem eu sou fã!

Desta vez quem bloga conosco é a queridíssima Carola Rodrigues, direto de BH. Muitas de vocês com certeza já conhecem os amigurumis graciosos que ela faz para a marca Meu Pintinho Coloridinho. Detalhe: quando eu conheci a Carola ela fazia só pintinhos. Hoje ela crocheta uma coleção enorme de animais desde gatinhos aminekos, fridinhas kalos, papais noéis, cachorrinhos, passarinhos e até noivinhas cadáver!

Bem, como vocês já suspeitavam, a expertise craft da Carola é crochê, então chamamos ela para dar dicas sobre esta técnica e mostrar alguns projetos fáceis de fazer para quem é iniciante. Acho que vocês vão curtir.

Ah mais um detalhe, a Srta. Pintinho Coloridinho manda muito bem também nos fóruns, principalmente no grupo do Superziper do Flickr, do qual ela é a mod oficial desde março.

A Carola estréia oficialmente aqui no Superziper nos proximos dias, com um post surpresa.

Espero que curtam e que a recebem muito bem nesta nossa casinha craft!

Blog Meu Pintinho Coloridinho
Loja Meu Pintinho no Elo7

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Enquanto uma querida crafter entra, tem outra que sai. Deixo aqui registrado o nosso obrigado à querida Emy, do Tofu Studio, que encerrou a participação no Superziper com um post que foi recorde histórico de comentários no blog. Mas não fiquem tristes com a saída da Emy nem com saudades pois ela vai continuar escrevendo coisas bem bacanas na casa dela, o Tofu Blog.

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Também no Superziper:
A Elisa Dantas também foi nossa blogueira convidada e como a especialidade dela é costura à máquina e ela ensinou a gente a fazer matelassê. Confira o PAP bacana que ela já fez sobre isso e aguardem pois na semana que vem ela vai fazer um post especial sobre como aplicar o matelassê para fazer uma luva de forno. Aguardem!

20 out 08
blogueira convidadaoutros bla bla blas
Divagações, parte 2: com convidadas especiais!
por Andrea

Vulcan: manual de instruções

Wow! O post da Emy “Divagações sobre o que é ser crafter e porque consumir crafts” já bateu o recorde histórico de comentários aqui no Superziper. Até agora recebemos 46 zig-zags e o número não pára de aumentar. Foi muito bacana ler as opiniões e experiências de cada uma de vocês – nós literalmente vibrávamos a cada novo comentário que chegava. Bom, como o assunto é quente resolvemos revisitar o post e eu peguei a difícil tarefa de dar continuidade em um assunto que a Emy começou tão bem. Ai, responsa, me desejem sorte!

A web 2.0 está aí para ajudar quem faz crafts, gente como nós. Ampliou o interesse, criou comunidades e trouxe oportunidades para os empreendedores que pensam em se livrar de empregos tradicionais e apostar nos crafts como ganha-pão. Mas como saber vale a pena transformar um hobby prazeroso num trabalho que pague nossas contas ? Hummm….Como vocês sabem, não há fórmula pronta, e nem existe manual de instrução como o da foto, da mini máquina Vulcan. O mercado está se desenvolvendo agora e está cheio de vontades bem como incertezas. Como a Emy bem colocou em um comentário, no final das contas é uma questão de ter coragem e fé. Já que é assim, achei que seria interessante procurar saber mais sobre pessoas que escolheram fazer crafts como profissão estão felizes com as suas escolhas. Contactei as queridas Vivi Hack e Priscila Rigoni que, para a minha alegria, toparam na hora participar do bate-papo. Ambas são apaixonadas por crafts e têm boas histórias para contar.

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Vivi Hack e o Mercado Imaginário, ou Mi  :-)

A Vivi Hack é a crafter por trás do Mi, que para mim, é uma grande referência em produto handmade no Brasil. Tudo que leva a marca do Mi tem personalidade e um capricho único que se reflete nas fotos, na embalagem, na escolha dos tecidos e nos detalhes dos produtos. A Vivi é como nós, começou a fazer crafts por hobby e gostou tanto que um belo dia decidiu fazer deles seu trabalho em tempo integral. E, se tudo o que ela faz é lindo, também é fruto de muita dedicação. Ela confessa que chega a trabalhar 15h ou 16h por dia (!) e não tira férias há dois anos. No momento ela ainda complementa a renda fazendo freelas como ilustradora e designer, mas não perde a fé em um dia viver só do Mercado Imaginário. Perguntei o que ela acha do movimento handmade, da opção em ser crafter profissional e sobre terceirização da produção: “Eu apoio 100% o handmade e vejo o movimento DIY como uma saturação das coisas industrializadas, uma reação à ditadura da moda e um retorno ao simples, único, feito por pessoas e para pessoas. E como um não aos modismos criados por uma indústria de massa e jogados para uma massa de consumidores guiados pela mídia. Vejo como uma reação natural, delicada, em busca de coisas mais orgânicas, mais naturais e que, de certa forma, resgatem valores e nos contem histórias.”

“Deixei meu emprego anterior para fazer o que realmente gosto, mas sabendo que é um longo caminho, e que o resultado virá a longo prazo. Eu sempre recebo emails de pessoas que querem se aventurar e resolvem pedir minha opinião. Sinto uma grande responsabilidade em opinar sobre isso pois a gente sabe que não é fácil. Depende muito de perseverança, sorte, capricho, dom, talento, coragem e, como em qualquer negócio, o retorno não é imediato. Por outro lado, eu sempre incentivo as pessoas a criar e desenvolver atividades que as ajudem a descobrir o que gostam de fazer e o que fazem bem. Só então se pode decidir encarar crafts como profissão. É claro que essa não é a regra, mas eu também acho super importante conscientizar as pessoas de que viver de artesanato, assim como em qualquer trabalho, requer responsabilidade, comprometimento, disciplina, perseverança e acima de tudo amor incondicional pela sua marca, pelos clientes e por todo o processo: desde a concepção de uma idéia, a entrega do produto e até mesmo além dessa etapa, se certificando que o cliente ficou satisfeito.”

“Tenho planos para terceirizar algumas funções, mas ainda é um pouco complicado passar adiante algumas etapas da produção e da venda. O maior receio em aumentar a produção e terceirizar é que a marca perca seu perfil handmade e o controle de qualidade. Durante este ano já pude contar com uma equipe de costureiras na confecção das peças. Chega um momento em que você precisa abraçar o que faz de melhor (no meu caso, criar) e aos pouquinhos passar adiante as demais funções. Eu mesma costuro todas as criações e as peças feitas sob encomenda, mas no restante da produção já conto com a ajuda de ótimas profissionais.”

Flickr do Mercado Imaginário

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Pri Rigoni e a Severina

Eu conheci a Priscila há uns 3 anos quando coloquei meus cactos de crochê em consignação na loja dela, a Severina, que fica numa ruazinha simpática da Vila Madalena – SP. Para mim a Pri é um exemplo de crafter que encarou firme o desafio de fazer produtos handmade como negócio. Ela esta sempre produzindo coisas novas, abraçando novos projetos e encarando mudanças de foco, quando necessário. Atualmente por exemplo ela está em plena fase de transição, transformando a Severina em loja vitual para poder se dedicar às vendas no atacado. E acreditem, ela consegue dar conta de tudo isso e ser a super mãe de um bebê fofíssimo, o João!

“Eu pintava tecido e fazia velas como hobby, até que em 2002 fiz alguns chaverinhos de bonequinhas de pano e cartões. Comecei a receber muitos pedidos tanto que minha casa ficou pequena e resolvi alugar o apartamento ao lado, que em 3 meses também ficou pequeno! Depois de 6 meses resolvi alugar uma loja na Vila Madalena que virou a Pri’s e comecei a vender crafts no varejo. Decidi também aumentar a linha de produtos, includindo almofadas pintadas, aventais, muitas e muitas bonecas.”

“Um ponto crucial foi quando participei da feira Gift Fair. Foi aí que encomendas começaram a entrar sem parar e decidi que precisava contratar pessoas. Também recebi uma encomenda enorme de um shopping, uma família de bonequinhos (pai, mãe, filho e filha), todos com muitos detalhes. Foram 40 mil (sim, 40 mil) bonecos que literalmente me enlouqueceram. Tinha 60 pessoas trabalhando e quase não demos conta. Quando entregamos, eu disse: ACABOU! Não vou mais fazer bonecas nunca mais, quero outra coisa! E foi aí que a Pri’s virou Severina. Reestruturei toda a produção, toda a loja e com certeza, reestruturei minha vida. A Severina já nasceu como uma marca, como um negócio. E assim passaram-se os anos e comecei a pegar encomendas de grandes clientes corporativos. Como o volume era grande, financeiramente valia muito a pena. Mas isso fez com que a loja ficasse de lado, sem produtos, meio largadinha. Foi então que decidi agora me dedicar às vendas no atacado e, por enquanto, o varejo que é a Severina virou uma loja virtual de produtos handmade”

“Muita gente faz bolsas, e se eu não fizer a diferença, alguém vai fazer. Então, penso nos detalhes, nas cores, nas combinações, na etiqueta, na embalagem. E fazendo a diferença com detalhes mínimos, que às vezes até passam despercebido por alguns. Dificilmente um detalhe será esquecido! E outra coisa muito importante nos crafts, é fazer com amor. Se não for assim, não vale a pena.”

Flickr da Pri e da Severina.

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Pra complementar tudo isso recomendo que leiam “Grito de Independência”: Mais um inspiradíssimo post da Emy que fala sobre a opção dela em ser crafter profissional. Se este é seu plano, um texto obrigatório !

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E olhando para exemplos vindos de fora, vale a pena ler esta entrevista com a Amy Carol, a crafter por trás do famoso blog Angry Chicken. Ela é hoje mãe de 3 filhos pequenos e largou um emprego 9-5 para trabalhar em casa como crafter profissional. E sim, ela diz que ganha dinheiro com isso, porém conta que desde o início colocou expectativas baixas para o negócio, esperando apenas cobrir os custos. No final ela foi além, lucrou e até publicou um livro. Interessante ler que ela diz que não faz nenhum marketing da sua marca, pelo contrário, tem uma certa aversão a ele na sua forma convencional. E conta que o marido é desenvolvedor de web e cuida dos sites assim ela pode se concentrar apenas na costura. Que sorte :)