
Olha só o que eu achei na seção de armarinho da John Lewis (Oxford Street – Londres, quarto andar, Haberdashery), um dos grandes magazines da Inglaterra, no estilo dos nossos falecidos Mappin e Mesbla. Sim, encontrei mini-máquina de costura por apenas R$ 150. Ela tem 10 tipos de pontos, a agulha pode ser colocada em 2 posições, tem gavetinha para acessórios, costura reverso, pesa menos de 3 quilos, tem garantia de 1 ano, vem da Tailândia mas só foi feita para costurar tecidos de leves a médios. E o melhor, vem em cores incríveis: vermelho, rosa, azul, baunilha e pistache!
Quando eu vi esta máquina na loja, me lembrei das perguntas que chegam ao grupo Superziper no Flickr, o nosso fórum. Muitas iniciantes querem saber se vale a pena comprar uma mini-máquina baratinha ou se melhor partir para a máquina ‘de verdade’. Vou deixar minha opinião nas entrelinhas através de uma historinha sobre um outro hobby que tenho, tocar flauta.
Para quem não tiver paciência, pode pular o próximo mega-parágrafo e ir direto para o final, onde complemento o texto falando especificamente sobre máquinas.

Faz uns 5 ou 6 anos eu resolvi aprender música. Escolhi a flauta transversal como instrumento. O professor me emprestou uma para que eu pudesse usar nos primeiros meses. Acho que ele sabia da quantidade de alunos que se empolgam, começam e depois largam. Eu sabia que não seria o meu caso, mas concordei com ele que era melhor aprender para depois saber escolher o que comprar. “Vai lá, limpa bem, fica com ela e quando você sentir que for a hora de comprar uma, você me devolve”. Como a escola era na Teodoro Sampaio, eu aproveitava para dar uma passeada pelas lojas e xeretar os modelos disponíveis. Apesar de violão, guitarra e baixo serem os instrumentos mais populares, bem pertinho tinha uma loja de instrumentos de sopro (que já fechou) e em uma ou outra vitrine eu achava uma flauta bem no cantinho. Flautas não são instrumentos baratos. A maioria era importada, e no Brasil tinha um só fabricante. Mas existia um bom mercado paralelo de flautas usadas, que alunos e profissionais passavam as suas falutas adiante. E no meio de tudo isso tinham também as chinesas – novas, brilhantes, chamativas e … com preços incrivelmente acessíveis. Passados uns 5 ou 6 meses, perguntei ao professor se era a hora de eu ter a minha. Perguntei o que ele achava das chinesas. “São baratas, isso são, mas só servem para alunos iniciantes. Ela não presta para quem quer seguir tocando. Depois de meio ano você vai ver que ela não presta. E o pior é que depois você vai ter de jogar fora, porque essas o pessoal de segunda mão nem aceita”. Eu achei que ele estava exagerando. Não entendia como uma flauta podia ter limitações, o que deixaria de funcionar. Eu continuei questionando e ele disse que na próxima aula ele traria uma para eu experimentar. Dito e feito. A flauta até que se saia bem nas músicas com poucas notas. Mas na hora que eu fui para os extremos – suaves ou agudas – não saia som. Por mais que eu tentasse assoprar, de vários ângulos, intensidades e posição de lábios, as notas não apareciam. Convencida? Sim! Pedi indicações de oficinas e fui atrás de uma usada. Era uma garagem no bairro do Paraíso. As prateleiras estavam cheias de flautas de todos os tipos, empoeiradas e abandonadas. Mas no pacote estava previsto uma revisão e um trato que deixaria ela com cara de nova. Eu já sabia tocar e fui experimentando várias até achar a que melhor para mim, naquele momento. Afinal, eles também vendiam modelos profissionais, mas como estudante ue precisava de uma que me atendesse bem pelo menos nos próximos 3 ou 4 anos.
Agora de volta ao assunto do post, aqui vão os comentários que recebemos no forum sobre comprar ou não uma mini-máquina de costura:
* Para “brincar” e aprender umas noções de costura serve mas. Mas é bastante limitada se depois voce quiser partir para outro tipo de projetos.
* Comprei uma pra mim e amo de paixão minha maquininha. Realmente, se voce quer fazer trabalhos mto elaborados e tal que exijam uma maquina mais possante, não aconselho. Mas se for pra umas coisas simples, craft básico, vale a pena!
* Serve direitinho pra pequenos reparos, roupinhas de bonecas e projetos pequeninos. Não resiste a tecidos grossos, é aparentemente frágil (a minha nunca quebrou, mas eu uso com cuidado), mais lenta que as máquinas tradicionais e bem simples (só faz costura reta). Agora, é suuuuper leve, cumpre o que promete e é uma gracinha!
* É uma porcaria. Dei para minha filha brincar!
* Uma de suas definições era essa: pra iniciantes! E o melhor de tudo… foi baratinha!
* Ela é macia, fofinha e agüenta o tranco muito bem viu? Ela é ótima sim… desde que você respeite os limites dela… não pretenda costurar jeans e coisas grossas nela…ok?
Como todo hobby, é voce que vai decidir com o tempo até onde quer ir. Vale para fotografia, coleções (oi, Blytheiras), música e costura. As coisas vão mudando, as vezes passa, mas as vezes a pessoa quer mais. O que foi decidido na hora da compra não precisa ser pra sempre. Custo-benefício é uma questão muito particular, tanto por quanto cada pessoa está disposta a gastar como pelo que ela espera da máquina ou do equipamento.
Eu acredito que informação e pesquisa é o melhor jeito de se “equipar” e tomar uma boa decisão. Espero que este texto tenha ajudado!
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Também no Superziper: Se a primeira é difícil, imaginem a segunda. A Andrea ‘pensou em voz alta’ quando estava se preparando para escolher sua segunda máquina de costura. Os questionamentos que ela se fez podem ajudar quem estiver passando pelo mesmo dilema :-)