Wow! O post da Emy “Divagações sobre o que é ser crafter e porque consumir crafts” já bateu o recorde histórico de comentários aqui no Superziper. Até agora recebemos 46 zig-zags e o número não pára de aumentar. Foi muito bacana ler as opiniões e experiências de cada uma de vocês – nós literalmente vibrávamos a cada novo comentário que chegava. Bom, como o assunto é quente resolvemos revisitar o post e eu peguei a difícil tarefa de dar continuidade em um assunto que a Emy começou tão bem. Ai, responsa, me desejem sorte!
A web 2.0 está aí para ajudar quem faz crafts, gente como nós. Ampliou o interesse, criou comunidades e trouxe oportunidades para os empreendedores que pensam em se livrar de empregos tradicionais e apostar nos crafts como ganha-pão. Mas como saber vale a pena transformar um hobby prazeroso num trabalho que pague nossas contas ? Hummm….Como vocês sabem, não há fórmula pronta, e nem existe manual de instrução como o da foto, da mini máquina Vulcan. O mercado está se desenvolvendo agora e está cheio de vontades bem como incertezas. Como a Emy bem colocou em um comentário, no final das contas é uma questão de ter coragem e fé. Já que é assim, achei que seria interessante procurar saber mais sobre pessoas que escolheram fazer crafts como profissão estão felizes com as suas escolhas. Contactei as queridas Vivi Hack e Priscila Rigoni que, para a minha alegria, toparam na hora participar do bate-papo. Ambas são apaixonadas por crafts e têm boas histórias para contar.
*******

Vivi Hack e o Mercado Imaginário, ou Mi :-)
A Vivi Hack é a crafter por trás do Mi, que para mim, é uma grande referência em produto handmade no Brasil. Tudo que leva a marca do Mi tem personalidade e um capricho único que se reflete nas fotos, na embalagem, na escolha dos tecidos e nos detalhes dos produtos. A Vivi é como nós, começou a fazer crafts por hobby e gostou tanto que um belo dia decidiu fazer deles seu trabalho em tempo integral. E, se tudo o que ela faz é lindo, também é fruto de muita dedicação. Ela confessa que chega a trabalhar 15h ou 16h por dia (!) e não tira férias há dois anos. No momento ela ainda complementa a renda fazendo freelas como ilustradora e designer, mas não perde a fé em um dia viver só do Mercado Imaginário. Perguntei o que ela acha do movimento handmade, da opção em ser crafter profissional e sobre terceirização da produção: “Eu apoio 100% o handmade e vejo o movimento DIY como uma saturação das coisas industrializadas, uma reação à ditadura da moda e um retorno ao simples, único, feito por pessoas e para pessoas. E como um não aos modismos criados por uma indústria de massa e jogados para uma massa de consumidores guiados pela mídia. Vejo como uma reação natural, delicada, em busca de coisas mais orgânicas, mais naturais e que, de certa forma, resgatem valores e nos contem histórias.”
“Deixei meu emprego anterior para fazer o que realmente gosto, mas sabendo que é um longo caminho, e que o resultado virá a longo prazo. Eu sempre recebo emails de pessoas que querem se aventurar e resolvem pedir minha opinião. Sinto uma grande responsabilidade em opinar sobre isso pois a gente sabe que não é fácil. Depende muito de perseverança, sorte, capricho, dom, talento, coragem e, como em qualquer negócio, o retorno não é imediato. Por outro lado, eu sempre incentivo as pessoas a criar e desenvolver atividades que as ajudem a descobrir o que gostam de fazer e o que fazem bem. Só então se pode decidir encarar crafts como profissão. É claro que essa não é a regra, mas eu também acho super importante conscientizar as pessoas de que viver de artesanato, assim como em qualquer trabalho, requer responsabilidade, comprometimento, disciplina, perseverança e acima de tudo amor incondicional pela sua marca, pelos clientes e por todo o processo: desde a concepção de uma idéia, a entrega do produto e até mesmo além dessa etapa, se certificando que o cliente ficou satisfeito.”
“Tenho planos para terceirizar algumas funções, mas ainda é um pouco complicado passar adiante algumas etapas da produção e da venda. O maior receio em aumentar a produção e terceirizar é que a marca perca seu perfil handmade e o controle de qualidade. Durante este ano já pude contar com uma equipe de costureiras na confecção das peças. Chega um momento em que você precisa abraçar o que faz de melhor (no meu caso, criar) e aos pouquinhos passar adiante as demais funções. Eu mesma costuro todas as criações e as peças feitas sob encomenda, mas no restante da produção já conto com a ajuda de ótimas profissionais.”
Flickr do Mercado Imaginário
******

Pri Rigoni e a Severina
Eu conheci a Priscila há uns 3 anos quando coloquei meus cactos de crochê em consignação na loja dela, a Severina, que fica numa ruazinha simpática da Vila Madalena – SP. Para mim a Pri é um exemplo de crafter que encarou firme o desafio de fazer produtos handmade como negócio. Ela esta sempre produzindo coisas novas, abraçando novos projetos e encarando mudanças de foco, quando necessário. Atualmente por exemplo ela está em plena fase de transição, transformando a Severina em loja vitual para poder se dedicar às vendas no atacado. E acreditem, ela consegue dar conta de tudo isso e ser a super mãe de um bebê fofíssimo, o João!
“Eu pintava tecido e fazia velas como hobby, até que em 2002 fiz alguns chaverinhos de bonequinhas de pano e cartões. Comecei a receber muitos pedidos tanto que minha casa ficou pequena e resolvi alugar o apartamento ao lado, que em 3 meses também ficou pequeno! Depois de 6 meses resolvi alugar uma loja na Vila Madalena que virou a Pri’s e comecei a vender crafts no varejo. Decidi também aumentar a linha de produtos, includindo almofadas pintadas, aventais, muitas e muitas bonecas.”
“Um ponto crucial foi quando participei da feira Gift Fair. Foi aí que encomendas começaram a entrar sem parar e decidi que precisava contratar pessoas. Também recebi uma encomenda enorme de um shopping, uma família de bonequinhos (pai, mãe, filho e filha), todos com muitos detalhes. Foram 40 mil (sim, 40 mil) bonecos que literalmente me enlouqueceram. Tinha 60 pessoas trabalhando e quase não demos conta. Quando entregamos, eu disse: ACABOU! Não vou mais fazer bonecas nunca mais, quero outra coisa! E foi aí que a Pri’s virou Severina. Reestruturei toda a produção, toda a loja e com certeza, reestruturei minha vida. A Severina já nasceu como uma marca, como um negócio. E assim passaram-se os anos e comecei a pegar encomendas de grandes clientes corporativos. Como o volume era grande, financeiramente valia muito a pena. Mas isso fez com que a loja ficasse de lado, sem produtos, meio largadinha. Foi então que decidi agora me dedicar às vendas no atacado e, por enquanto, o varejo que é a Severina virou uma loja virtual de produtos handmade”
“Muita gente faz bolsas, e se eu não fizer a diferença, alguém vai fazer. Então, penso nos detalhes, nas cores, nas combinações, na etiqueta, na embalagem. E fazendo a diferença com detalhes mínimos, que às vezes até passam despercebido por alguns. Dificilmente um detalhe será esquecido! E outra coisa muito importante nos crafts, é fazer com amor. Se não for assim, não vale a pena.”
Flickr da Pri e da Severina.
*******
Pra complementar tudo isso recomendo que leiam “Grito de Independência”: Mais um inspiradíssimo post da Emy que fala sobre a opção dela em ser crafter profissional. Se este é seu plano, um texto obrigatório !
********
E olhando para exemplos vindos de fora, vale a pena ler esta entrevista com a Amy Carol, a crafter por trás do famoso blog Angry Chicken. Ela é hoje mãe de 3 filhos pequenos e largou um emprego 9-5 para trabalhar em casa como crafter profissional. E sim, ela diz que ganha dinheiro com isso, porém conta que desde o início colocou expectativas baixas para o negócio, esperando apenas cobrir os custos. No final ela foi além, lucrou e até publicou um livro. Interessante ler que ela diz que não faz nenhum marketing da sua marca, pelo contrário, tem uma certa aversão a ele na sua forma convencional. E conta que o marido é desenvolvedor de web e cuida dos sites assim ela pode se concentrar apenas na costura. Que sorte :)






1. Hidratante para o rosto
2. Base
3. Exfoliante
4. Perfume
5. Creme anti-flacidez
6. Condicionador de cabelos




















