23 mar 10
reciclagemtricô e crochê
Reciclagem de suéteres de lã
por Claudia
Sacolas de novelos reciclados

Em uma viagem recente a Seattle, na costa Oeste dos EUA – aproveitei algumas horas de um domingo para visitar o mercado de rua do bairro de Freemont (um amigo meu que mora na cidade e procura equivalentes de bairros de São Paulo diz que lá é a Vila Madalena). Cheguei bem no fim da feira, ou seja, pessoal cansado, querendo ir embora e prontos para empacotar. Mas deu tempo de descobri a barraca da Leah – a Smart Monkey, que também tem loja virtual no Etsy. Bem humorada, apesar do frio, ela me contou um pouco mais do seu business de uma mulher só, especializado em fios reciclados. Aliás, o estilão dela já aparece no mote da Smart Monkey – “Helping to Balance the Trade Deficit and Save the Planet One Skein at a Time” (simplificando, algo como ajudando a salvar o planeta com uma meada de cada vez)

Assim como quase todas as boas ideias, a sacada dela é simples e fascinante! Ela “produz” fios reciclados a partir de suéteres desmanchados. E daí ela vende tudo bonitinho em em sacolinhas ou avulso, por cor e tipo de fio (de lã, algodão ou fibras mistas).
Achei um ótimo presente para quem sua amiga tricoteira ou que faz crochê e tem um estilo de vida verde, que presta atenção as origens dos produtos.

Os fios vem de roupas compradas em brechós e lojas de usados. O processo de produção inclui lavagem dos suéter (com sabão em pó ecológico), desmanche, pendurar em varais e secagem plana para tirar as marcas dos nós. Detalhe que as malhas de lã natural ela lava só uma vez, para evitar que feltrem.

A Leah achava que tinha que fazer alguma coisa pelo planeta em que vivemos, principalmente no sentido de gerenciar os recursos que a gente tem. Daí ela juntou várias ideias em que acreditava e definiu que a escolha da sua “matéria-prima” deveria seguir estes critérios. Por exemplo, fibras sintéticas ou feitas a base de petróleo poluem o meio ambiente. Então ela dá preferência a suéteres feitos de fibras naturais. Sintéticos, só se as fibras forem uma baixa percentagem da composição do fio. Além disso, ela evita malhas importadas, feitas fora dos EUA, para valorizar o que é produzido dentro de casa e para evitar o déficit no comércio exterior. Ela ainda acredita que dessa forma ainda está garantindo empregos em lojas de roupas de segunda mão, diminuindo a geração de poluentes usados no planeta e a necessidade de se produzir novos produtos. Quem tiver tempo dá uma lida na descrição dos items que ela vende no Etsy. Quando abre uma exceção as regras que ela mesma criou, enche a descrição do produto com explicações do porquê fez isso – tipo essa lã que veio de uma malha feita em Madagascar.

Era uma vez um suéter... Etiqueta do suéter

E as sacolinhas, olha que legal. Uma blusa é desmanchada por inteiro e – dependendo do tamanho – vira 6, 7, 8 novelos. Ela pendura um folhetinho que mostra uma foto da blusa original e na última página ainda prega a etiqueta da roupa. Detalhes que fazem toda a diferença, não acham?

Lã de fibra mista Lã 100% reciclada

Nos novelos, ela tenta ao máximo evitar emendas. Assim, os novelos avulsos são feitos de partes integrais, tipo o braço da blusa, ou a parte de cima ou de baixo do suéter.

Smart Monkey Seattle Broches de lã reciclada

Vejam que no caso de botões eles são vendidos em cartelas. E restinhos de lã viram broches de florzinha. A Carola, do Meu Pintinho Coloridinho, já ensinou o pessoal aqui do Superziper a fazer uma bem parecida de crochê.

Feira em Freemont, Seattle, EUA Em várias cores

Olha aí a barraquinha da feira de Freemont – estava bem frio, reparem que a Leah estava bem encapotada. Mas não me perguntem porque essa cliente estava de manguinhas pra fora !

Se você gostou e não mora nos EUA, pode comprar pelo Esty – manda uma mensagem que ela fala quanto vai custar o envio internacional. Os novelos custam cerca de 6 dólares e a sacolinha na faixa de 30 dólares.

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PS: mais tarde, na mesma feira, conversando com outro expositor, descobri que a Leah era uma das super finalistas para participar do No Reservations, o programa de TV do Anthony Bourdain (adoro!). “Poxa, seria tão legal se tivesse dado certo” – me peguei pensando nisso mesmo conhecendo ela há só 10 minutos, teria dado um bom episódio!

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Também no Superziper: Alguém se lembra que no ano passado a Andrea deu uma de Smart Monkey e resolveu reciclar um suéter de lã? Ela descreveu toda a experiência aqui. Aliás, já que o tema é lã, a gente também recomenda uma visita ao post onde falamos sobre composição de fios e tipos de lã.

01 dez 09
inspiraçãooutras técnicasreciclagem
Reciclando as cartelas de amostra de tinta
por Claudia
Reciclagem: marcador de livros

Sabe aquelas cartelas com amostra de tinta que voce pega nas lojas de material de construcão? Viraram meus novos marcadores de livros. Ainda aproveitei a divisão entre as cores para fingir que são prateleiras de pequena uma cozinha imaginária. Estão lá a batedeira dos meus sonhos e várias panelas bonitas. É desenho, né, vale tudo!

Escolhendo o azul da parede Inspiration board

Depois de usar a cartela para ajudar na escolha da cor, concordam que ela perde a utilidade?

Por uns dias eu deixei ela pendurada no meu mural de cortiça. Azul é minha cor favorita, achei que seria inspirador. Mas no fim arranquei ela de lá e achei que seria mais útil para acompanhar as minhas leituras de antes de dormir. Como eu leio vários livros ao mesmo tempo, é sempre bom ter mais de um marcador a mão.
Desenhando o marcador Em rosa e em azul

Não tem muito segredo, vale desenhar o que quiser. Eu fiz os primeiros riscos a lápis e depois contornei com caneta preta. No cartão rosa, mudei a temática. Resolvi desenhar prateleiras para uma sala – com livros, quadros e plantas. Estou numa clima decoração, como vocês podem perceber :)

Eu optei pelo desenho, mas se você tem estas cartelas sobrando pela casa, é claro que vale qualquer técnica – de colagem a scrapbook! Só não vale passar na loja de tintas e levar amostras sem ter planos de pintar a casa… Afinal, nada de desperdício.

Ah… e se alguém souber pu pensar em outra utilidade para reciclar estes cartões, contem pra gente.

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Também no Superziper: Já que estamos falando de reciclagem – e as festas de fim de ano estão chegando… lembrem-se de guardar as rolhas dos vinhos, champanhes e cidras – mas tem que ser de cortiça. Aqui a gente deu várias ideias do que você pode fazer com elas, de cortinas a guirlandas.

24 jul 09
reciclagem
Todo mundo quer ser verde
por Claudia

Mochilas recicladas da Ruffles

A foto desta mochila eu tirei essa semana no Walmart que fica perto de casa. Ela diz alguma coisa para você? Se você faz crafts – e é da turma que quer fazer disso um negócio – a palavra *oportunidade* deveria aparecer escancarada na sua frente. Bem, pelo menos apareceu pra mim. Hoje todo mundo quer ser verde, inclusive as empresas que se ligaram que estamos todos cada vez mais em busca de um consumo sustentável, querendo saber de onde as coisas vem e para onde vão.

Se as grandes empresas não conseguem seus “certificados de origem” é melhor ser pelo menos ser eco-friendly e trabalhar com o “certificado de destino” (inventei agora essa palavra). Nesta onda verde, reciclagem e reaproveitamento são as palavras da moda. Muito teórico ? Olha tudo isso que eu falei escancarado na nova campanha da batata Ruffles. Batata frita virou eco.

Carteira reciclada da Ruffles Ruffles (Terracycle e Solidarium)

É logico que para quem acompanha os sites de fora, essa idéia de fazer moda com embalagens não é nenhuma novidade e faz desta campanha da Ruffles ficar com uma cara de dejá-vu.

Em 2005 já tinha crafter em Portugal fazendo carteiras com tetrapack. Já vi também feita com saco de arroz (foto abaixo). E até bolsa e vestido já fizeram com caixinha de suco.

Já que as grandes empresas querem fazer parte desse mundo mais verde e sustentável eu acho que muita terceirização e até quarteirização vai rolar na produção. As agências de promoção e publicidade que atendem têm que ir atrás de idéias e gente para concretizar tudo isso. Se você topar entrar nesta onda, embarcar no mercado de produtos promocionais craft, pensei em algumas coisas que você já pode ir fazendo:

* Deixar seus produtos organizados em um site. Presença online é fundamental.
* Ter uma estrutura de produção “a postos” para acionar, caso receba um grande pedido.
* Montar um projetinho vendendo sua idéia, com detalhes sobre os materiais utilizados.
* Ficar atento para oportunidades como essa, buscando saber mais sobre as empresas envolvidas. Por exemplo, as mochilas da Ruffles são uma parceria com a Terracycle e Solidarium.

Imagino que se a Elma Chips e o Walmart estão de olho nisso, é porque o mercado está bem aquecido. E, apesar da crise, em dezembro as empresas sempre investem em brindes. Se você é empreendedora e tem boas idéias talvez possa pegar uma carona nisso.

Display feito com garrafas Pet Display de material reciclado

(Estas últimas fotos são um exemplo mais industrial e menos craft : displays de gôndola feitos com garrafas Pet. Tá vendo como ser verde está virando mainstream? )

É claro que entrar no mercado promocional não é tarefa pra todo mundo. Mas se você realmente quer montar um pequeno craft business é legal pelo menos saber que existe este nicho para explorar todas as possibilidades, certo ?

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Também no Superziper: Se o craft começa a tomar rumos de negócio na sua vida, é hora de ler as dicas que a Cris Paz deixou para os leitores e leitoras do Superziper. Ela deu algumas dicas sobre como tornar seu hobby em um negócio, baseado na própria experiência.