24 jun 09
craft tour
Uma lojinha de ferragens para meninas
por Claudia

Parafusos, ferragens e ferramentas

Sabe aquele parafuso super específico que você já procurou em várias lojas mas não encontra em nenhum lugar? Pra quem é de São Paulo aí vai uma dica quente: experimente procurar na Casa das 3 Meninas. Pela quantidade de vidros na foto aí de cima já dá para sentir a variedade de produtos que tem por lá. E não sáo apenas parafusos. Tem também buchas, arruelas, porcas, rebites, brocas, ferramentas, materiais elétricos, utilidades e afins. Eu estava atrás de um plastiquinho que é usado para colocar no furo da parede por onde passa o fio do interfone (bem específico, né?). Fiz um tour por várias lojas de material de construção do bairro e nada. Até que na penúltima tentativa, depois de ouvir mais um não, o balconista sugeriu: “Vai até o 236 que lá você acha!”. Três minutos depois – e por apenas 1 real – resolvi meu problema.

Podia ter pago a conta e ido embora rapidinho. Mas fiquei impressionada com o lugar. Me lembrou aquelas garagens típicas de filmes americanos (acabei de ver isso no último do Clint Eastwood, Gran Torino [foto]). Cada coisinha no seu lugar, tudo etiquetado, super mega organizado e limpinho. Me senti muito a vontade, parecia que eu estava em uma versão masculina do meu espaço, deu vontade de xeretar e ver o que eu achava por lá. Apesar da minha pouca habilidade com martelos, chaves-de-fenda e afins senti que rolava uma conexão com o mundo craft ali naquela loja. Enfim, o resultado está nas fotos aí de baixo, acho que vocês também vão gostar.

Interior da loja: fundo Regina, no balcao

E quem foi que disse que ferramenta não é coisa de mulher? A moça simpática da foto é a Regina, filha do fundador da loja. Ela disse que recentemente aumentou o número de mulheres interessadas em aprender e fazer pequenos consertos por conta própria. Para quem precisa de ajuda ela até dá as orientações básicas.

Caixa de ferramentas Tudo organizado

Esse balcão, onde está a caixa de ferramentas, é novo. Foi projetado pelo filho da Regina, que é designer. Ele fez algumas mudanças na loja, mas nada que descaracterizasse o estilão original do lugar. Muito bem sacado esse espaço pra guardar vergalhões. Na foto à direita, ferros menores são guardados na horizontal em latas abertas.

Interior da loja: frente Display de pecas e ferragens

Eles usam páginas de lista telefônica como embalagem para peças pequenas – eles também reciclam! A última foto é pra eu não me esquecer que quero um painel de furinhos como esse para organizar minhas ferramentas – hoje estão todas bagunçadas, amontoadas em um canto de casa.

Achei que esta dica seria legal para você meninas que curtem um DIY. Já entrou pro meu caderninho de endereços úteis !

Anote aí:
Casa das 3 Meninas
Rua Martim Francisco, 236
Santa Cecilia, Sao Paulo, SP
tel. (11) 3666-4759
Horário normal durante a semana.
Aberto aos sábados até as 13h.

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Também no Superziper: Aqui você encontra mais algumas idéias de organização de ferramentas e bancada, depois de uma visita ao ambiente de trabalho de três joalheiros no evento Made in Clerkenwell.

23 jun 09
reciclagemtricô e crochê
Reciclando o seu tricô
por Andrea

reciclando lã

No final de semana resolvi colocam em prática mais um projeto de reciclagem de inverno. Desta vez, ao invés de repaginar uma blusa de lã eu resolvi ir mais a fundo e reciclar a própria lã de peças de tricô. Explico. Eu tinha dois cachecóis de tricô que estavam encostados no armário. A lã era muito bonita e de boa qualidade (um azul mais clarinho, de lã de carneiro mista e um azul escuro de lã mista com seda) mas eu já tinha enjoado deles e achei que podiam ter um novo destino. Resolvi que uma boa saída seria desmanchá-los para aproveitar o fio em outros projetos de tricô. Aproveitei para fotografar e mostrar aqui no Superziper.

Desmanchar cachecóis é fácil porque normalmente eles não têm costura. Recomendo começar por eles se você não tem muita prática e quer fazer uma primeira experiência. Claro que também  dá pra desmanchar blusas de tricô, mas só recomendo nas seguintes condições:

* É melhor desmanchar peças que foram tricotadas manualmente. As peças de tricô ã máquina geralmente têm emendas de overloque, o que significa que as peças foram cortadas e você não conseguirá desmanchar a blusa num único fio contínuo e sim vários fiozinhos quebrados. Evite.

* Quando for escolher a peça prefira aquelas que têm  fios relativamente grossos e de boa qualidade. É uma boa pedida reciclar a lã mista, cashmere, alpaca. Na minha opinião não vale a pena o trabalho de desmanchar uma peça de 100% acrílico. Invista o seu tempo reciclando somente fios mais nobres.

* Se for reciclar uma peça de lã pura, repare se a lã não foi feltrada através de lavagens contínuas na máquina de lavar. Neste caso, infelizmente  não será possível desmanchá-la. Como saber ? Veja se os pontos encontram-se separados na trama, sem aquele aspecto compactado do feltro.

Agora vamos as fotos. Eu desmanchei um cachecol que comprei numa loja há anos atrás. Como não foi feito por mim fui atrás de informação na etiqueta que dizia “60% lã e 40% acílico”. O fio era bem grosso, macio e o cachecol era todinho feito em ponto tricô. Achei que valia a pena reaproveitar o fio.

reciclando tricô reciclando tricô
1. Sem dó nem piedade cortei uma das pontinhas e fui puxando o fio e desmanchando o cachecol. Como o fio era grosso e pontos largos,  esta etapa foi bem rápida. Foi prrrrrrrrrr……

2. Faça um meada a medida que for desmanchando. O ideal, eu acho, é que alguém que fique com as duas mãos abertas em paralelo para segurar a meada, deixando os fios bem esticadinhos, saca ? Como eu estava sozinha, improvisei usando encostos de duas cadeiras em paralelo. Deu certo.

reciclando tricô reciclando tricô

3. O meu cachecol desmanchado virou isso, um monte de fios que me lembraram miojo. Se você tricotar com a lã assim o visual da peça vai ficar um tanto comprometido e nós não queremos isso, certo ?
Com qualquer pedaço de lã ou barbante que estiver sobrando, amarre a meada  em quatro pontos, como na foto. A meada deve ficar com este formato de um aro bem largo.

4. Mergulhe a meada em uma bacia com água (de preferência de temperatura morna para fria) e coloque um pouco de sabão líquido para roupas delicadas. Não agite fortemente para não correr o risco de feltrar a lã. Eu agitei bem de leve e deixei lá por algumas horas. Depois enxaguei bem e não torci, apenas retirei o excesso de água e enrolei numa toalha para retirar a umidade. Deixei assim até secar um pouco e perder o peso e depois pendurei no varal, para arejar e terminar a secagem. Acho que no total demorou mais de 24 horas pra secar completamente pois os fios eram grossos.

reciclando tricô reciclando lã

5. Aqui um close na minha meada secando. Vejam que os fios perderam o aspecto miojo e ficaram bem mais retinhos e ‘tricotáveis’.
6. Se preferir, solte a meada e enrole os fios em formato de bola. É opcional mas eu gosto. Acho que facilita a vida na hora de tricotar. Veja aqui um video sobre como enrolar a bola.

Se o fio for de boa qualidade e você tiver o devido cuidado na hora de lavar é possivel reciclar as peças de tricô várias e várias vezes. Imagina as possibilidades:  o que era um cachecol hoje no próximo inverno vira um xale, depois uma touca ou até quem sabe um crochê caneca.

Eu ainda estou tentando decidir o que fazer com estes fios reciclados. Acho que vou dar um pulinho lá no Ravelrye já volto.

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Também no Superziper: Uma projeto fácil e rápido para o inverno pode ser esta gola de tricô. Fiz a minha com fios novos mas nada impede que você use fios reciclados. Quando tricotei esta gola ainda estava bem quente aqui em São Paulo, dou risada lembrando como suei para tirar esta foto !

 

22 jun 09
inspiraçãooutras técnicas
Dicas para fazer seus próprios quadrinhos
por Claudia

DFC-comics-abertura

Ano passado, uma editora inglesa, a Random House, resolveu apostar em um projeto para crianças super inovador. Uma revista de quadrinhos semanal, de altíssima qualidade, colorida, de material 100% inédito e sem nadica de propaganda. Ela *não* estava a venda em bancas ou W H Smiths da vida – ela era vendida apenas por assinatura (8.99 libras por 4 edições). Assim, como parte da divulgação, eles precisavam mostrar a novidade pras pessoas certas, nos lugares certos, que dessem o devido valor a um produto como esses.

E foi no rastro de uma dessas promoções que eu conheci a “The DFC”, essa deliciosa revista (um parênteses: pra vocês terem uma idéia, eles comissionavam autores de graphic novels, ilustradores conceituados, artistas que trabalham com conceitos de filmes em Hollywood, contadores de historias e autores infantis para rechear as 36 páginas). Num fim de semana, fui assistir um filme no British Film Institute – que é uma mistura de cineclube com espaço para exposições, além de serem os organizadores do festival de cinema da cidade – e vi um stand da revista perto da livraria. Durante o dia eles faziam oficinas de quadrinhos com crianças, ensinando a meninada a inventar personagens e histórias – e por tabela apresentavam a The DFC para os pais. Quando eu passei por lá, só vi vestígios: painéis com o material de “aula”. Minha vontade foi de sair desenhando e criando lá mesmo.

Semanas depois entrei em contato com a assessoria da imprensa da DFC e perguntei se eles liberavam as dicas pra gente colocar aqui no Superziper. Eles foram super atenciosos e permitiram a reprodução. Assim, as páginas que vocês vão ver aí abaixo sobre como fazer uma HQ estão liberadas para consulta aqui no Superziper. Espero que gostem da tradução feita por mim.

Depois de meses fiquei sabendo que infelizmente, a revista não teve um final feliz. Para quem quiser saber mais sobre o assunto, escrevo o que aconteceu no fim deste post.

QUADRINHOS-01 QUADRINHOS-02
Créditos: revista The DFC

QUADRINHOS-03 QUADRINHOS-04
Créditos: revista The DFC

QUADRINHOS-05 QUADRINHOS-08
Créditos: revista The DFC

QUADRINHOS-06 QUADRINHOS-07
Créditos: revista The DFC

(Notinha para o tio Faso: essa última página chegou atrasada – teria ajudado naqueles dias que você quebrou a cabeça colando posts-its para diagramar seu mini-livro ;-)

Dica de quem já fez: A Dri Simizo, do blog Kanten, manda avisar que é melhor cortar as páginas com estilete, pois o acabamento fica mais caprichado. A tesoura não é garantia. Aqui está o livrinho que ela fez, com receitas de cozinha fáceis do dia-a-dia, para acompanhar um presente de chá de cozinha, ficou uma graça!

Sobre o fim da revista
Com apenas 9 meses de vida e 43 edições, a The DFC não teve tempo suficiente de se provar um negócio rentável para sua editora e foi descontinuada. Por causa da crise econômica em 2008/09 eles não conseguiram levar o projeto adiante e colocaram o título a venda. A legião de órfãos decepcionados era tão grande, que um grupo de assinantes se movimentou, montou um site e tentou se organizar para comprar a revista. Aparentemente eles não conseguiram juntar fundos suficientes para a compra, uma pena.

Mais links
. Site da revista The DFC
. vídeo promocional da revista
. Blog Save The DFC
. Crítica da 1a edição e amostras de páginas

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Também no Superziper: Quando o assunto é criatividade, a linha que divide produtos pra crianças e adultos é tênue. Eu me apaixonei pelo livro The Doodle Book, originalmente indicado pra crianças de 5 a 8 anos. Ainda bem que nos reviews da Amazon tem mais gente que passou dos 30 se declarando fã.