22 jan 14
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Visita à Casa das Franjas
por Andrea

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Por Ju Padilha, blogueira convidada.

Quem gosta de artesanato e do mundo handmande, adora pesquisar e descobrir materiais variados. Somos loucas por tecidos, fitas diversas, linhas, papéis, canetas, lápis e por aí vai. Enchemos nossos armários, prateleiras e gavetas com estes tesouros que a gente vai juntando e guardando, porque nunca sabe quando serão necessários!

Bom, eu sou exatamente assim e uma coisa que gosto muito de fazer é passear por armarinhos e lojas de ferramentas a procura de ‘tesouros’. Bater os olhos e se deixar encantar por um material, mesmo que na hora a gente não saiba o que fazer com ele. Como não podia deixar de ser, amo andar pela região da 25 de Março aqui em São Paulo.
No ano passado, estava na região à procura de garrafinhas de vidro para compor a decoração do aniversário de 1 aninho de meu filho. Encontrei um prédio que tinha muitas lojas de lembrancinhas, subi até o último andar e fui descendo, vasculhando cada uma das lojas. Foi aí que, meio sem querer, encontrei uma loja que fez meus olhos brilharem, a Casa das Franjas. 

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A loja tem aquele ar de coisa antiga, aquele charme de uma época em que as coisas pareciam ter alma, um tempo próprio! Seu Ivan (acho que era esse o nome dele), o dono da Casa das Franjas foi funcionário por 40 anos de uma fábrica de franjas e, em 98, conseguiu comprar seu ponto na 25 de Março, dando continuidade ao negócio, que sofre uma séria concorrência chinesa, segundo ele! Dona Bernadete, simpatia pura, foi sua primeira funcionária e continua por lá, não só atendendo, mas também fazendo as franjas que vendem na loja! Sim, tudo feito de forma artesanal, franja por franja.

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Achei a loja inusitada, aqueles ornamentos tão tradicionais e que em tempos modernos não são mais tão usados assim… ou são? Eu pelo menos não me lembro de conhecer casas com cortinas que usem as franjas, à não ser nas cortinas dos teatros! Sei que voltaram a moda em tamanho menor, para uso em brincos e colares.

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Não sei exatamente o que me encantou mais na loja. Não sei se foram aquele mundo de franjas e pingentes penduradas, as cores incríveis dos fios com que elas são feitas, ou as estantes entulhadas. Sabe aquela vontade de sair mexendo em tudo?  Pois é.

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Mas o que de fato me fez suspirar, foram as possibilidades de uso destes materiais, como usá-los em outros contextos. Me senti instigada e trouxe dois pacotinhos de pingentes tipo tassel, que viraram protótipos de colares para a minha marca! Eles estão super na moda e são tendência em 2014 , sabiam? E você faria o que, com estas franjas e tassels?

Se se interessou em visitar anota o endereço:

Casa Das Franjas
http://www.casadasfranjas.com.br
Rua Cavalheiro Basílio Jafet, 127, 3* andar, loja 33, São Paulo-SP

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Acredito muito em estar atenta a encontrar materiais que chamem a atenção e gere vontade de experimentar… O experimentalismo é uma ótima forma de dar novos caminhos ao trabalho que se faz e nos dá a chance de inovar criativamente! E você, o que descobriu de novo nos últimos tempos?

Texto e fotos por Ju PadilhaFacebook do Atelie Ju Padilha / Blog Ju Padilha

15 jan 14
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Superziper visita: fábrica de ladrilhos hidráulicos
por Claudia

Ladrilhos hidráulicos

Ladrilhos hidráulicos são quase uma unanimidade nas revistas de decoração hoje em dia. Voltaram tão forte na moda que até fabricantes de outros materiais (como porcelanato e adesivos) estão usando a estética destas peças como estampas para seus produtos.

Mas o que talvez nem todos saibam é que a fabricação dos ladrilhos é algo completamente artesanal. Visitei uma fábrica perto do Bom Retiro há uns anos quando encomendei peças para minha casa. Aproveitei a compra para registrar o processo de produção, com permissão dos donos da empresa. A técnica de lá foi trazida da Itália, na década de 20, e desde então eles continuam produzindo da mesma forma, mantendo a tradição. Acho que vocês vão gostar de conhecer mais dos bastidores!

Aqui são algumas das amostras de modelos disponíveis (no fim do post deixamos os dados de contato, endereço, etc.). Andando pelo local, com um olhar mais atento, você começa a perceber padronagens iguais, mas em cartela de cores diferentes. Encomendando sob medida, qualquer cor pode ser alterada! Nesta foto também há alguns modelos exclusivos desenhados por artistas e com molde desenvolvido por eles.

Ladrilhos hidráulicos
A fábrica é antiga, alguns dos móveis continuam por lá desde a época da inauguração!

Ladrilhos hidráulicos
Os modelos de ladrilhos hidráulicos estão espalhados por todo lugar. Tem na parede, no chão, em mostradores. É muita informação para quem não vai preparado, com alguma ideia já em mente.

As opções de cores são muitas. Há um espaço com os modelos lisos, organizados que nem caixa de lápis de cor, para escolher e combinar. Você pode tirar do mostrador e colocar ao lado de alguma peça “favorita” para ajudar a visualizar. Pensando na instalação, alguns modelos funcionam como tapetes – são colocados com contornos, quinas e “recheios”. De novo, os mostradores foram montados para ajudar nessa visualização.

Ladrilhos hidráulicos
Leve a planta do local ou a metragem do espaço para calcular o número certo de peças. Como qualquer piso, é bom levar um extra de 10% da área por perdas na instalação. A colocação na diagonal exige uma porcentagem maior, mas o pessoal da fábrica pode informar melhor com base no projeto.

Ladrilhos hidráulicos
Enquanto eu pesquisava modelos e pensava no que eu levaria, dei uma escapada para entender como os ladrilhos são feitos. Primeiro, uma visão geral do ambiente da fábrica. Os sacos que aparecem na foto são de cimento branco, principal matéria prima das peças. As prateleiras que estão por todos os lados servem para guardar peças feitas em processo de secagem.

Ladrilhos hidráulicos
Os ladrilhos são feitos um por um, com um molde de metal que dá o desenho à peça – numa comparação bem ampla e exagerada, é como se fosse um estêncil ou cortador de biscoito. Nesta foto abaixo dá para entender melhor: o molde da flor e o ladrilho finalizado.

Ladrilhos hidráulicos
Mais moldes que encontrei no local. Os que estão na bancada de trabalho, são parte de uma encomenda. Os demais, ficam guardados pendurados na parede, em prateleiras e nas estruturas de madeira do local.

Ladrilhos hidráulicos
Aqui, a matéria prima. Cimento branco e misturado com corantes agregados dão a conhecida cor. Na foto da direita, bacias com as cores amarelo, verde, vermelho e branco. As cores são preparadas de acordo com o pedido, nas proporções que serão usadas.

Ladrilhos hidráulicos
Na foto da direita, o molde foi colocado na esteira da prensa. Um funcionário preenche o molde, seguindo o desenho do pedido. No exemplo da margarida que mostramos aí em cima, o contorno é preto,  o preenchimento é branco e as pétalas são preenchidas com a cor preta novamente. Ele usa uma concha para depositar a quantidade e cor certa dentro de cada divisão do molde.

Em seguida, ele retira o molde, nivela o cimento e a peça é empurrada para o centro do torno. O torno é o coração da fábrica, é essa máquina gigante da foto à direita aí de baixo. Uma vez no centro, os funcionários giram as hélices, que pressionam a peça até condensá-la totalmente por pressão. O resultado desse esforço é um bloco de ladrilho compacto e firme, com o desenho escolhido.

Ladrilhos hidráulicos
A peça então é retirada do torno fresquinha – tudo isso para uma única peça. Se o pedido for de 200 ladrilhos, o processo será repetido 200 vezes, do preenchimento do molde até a prensa. Nesta foto dá para ver que a base do ladrilho é de cimento e há uma camada de “tinta” com espessura de cerca de 3 milímetros. É um material de altíssima dirabilidade e que não perde o desenho.

Ladrilhos hidráulicos
Saindo do torno, as peças vão para secagem. Se não me engano, era algo ao redor de 45 dias, mas depende da umidade, época do ano, etc. Esta é a etapa que ocupa mais espaço físico do local. Prateleiras e mais prateleiras espalhadas por todo o ambiente acomodam os pedidos em processo de finalização.

Ladrilhos hidráulicos

As peças são embaladas e os pedidos estão prontos para retirada. Fotos do estoque e da distribuição. Imaginem o peso destes pacotes, cada peça é praticamente cimento puro. Tem que ir direto pro porta-malas do carro, não é fácil de carregar.

Por todo o processo que vocês viram acima, não há sobras. O pedido é feito de forma justa e exata. Por ser fábrica, eles farão exatamente  o que você precisa, seja na quantidade como nas cores. Mas sempre tem um pouquinho reservado para quem quer levar algumas peças variadas e fazer mosaico para pronta entrega. Vale lembrar que peças avulsas para mosaico você também encontra em cemitérios de azulejos. Enfim, o importante é que, sendo um produto durável por tantos anos, vale investir em pesquisa até você encontrar o que está buscando – seja na questão de regras, prazos e preços!

Ladrilhos hidráulicos
Na minha casa antiga, o chão da cozinha era quadriculado de ladrilhos em tons avermelhados e creme – adorava! Agora, na nova, comprei sete peças avulsas para colocar no beiral da janela e apoiar as plantinhas

Ladrilhos hidráulicos
Para aplicar, eles recomendam um colocador que entenda do assunto. O contrapiso deve estar nivelado, não há espaçamento entre as peças (conhecido como “junta seca”) e, por ser uma peça porosa, ao final, para facilitar a limpeza diária, recomenda-se a aplicação de uma resina incolor.

As fotos deste post foram feitas gentilmente na fábrica:

Ladrilar – Ladrilhos Hidráulicos Artesanais, desde 1922
Telefones: (11) 3228-6409 / 2855-1010
E-mail: contato@ladrilhosartesanais.com.br
Site: http://www.ladrilhosartesanais.com.br/catalogo_continuos.php
Endereço: Rua Porto Calvo, 69 – Ponte Pequena – São Paulo – SP, CEP: 01109-070

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Dica! Para quem curte os grafismos dos ladrilhos, sugiro conhecer o álbum do Flickr da portuguesa Rosa Pomar. Ela vem registrando há anos o que por lá eles chamam de mosaicos hidráulicos. São mais de 200 fotos, lindos achados!

31 out 13
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Um tour pela Peluqueria (Bogotá)
por Claudia

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Descobri a Peluqueria totalmente por acaso, passeando aleatoriamente pelo centro antigo de Bogotá. Tinha lido sobre eles em um artigo, dizendo que valia a pena conhecer. E realmente valeu! Vejam as fotos do lugar.

peluqueria-ambientes

Uma visão geral do espaço. A entrada era uma portinha bem pequena e discreta, que por um corredor estreito, levava a este salão com vários ambientes. É um cabeleireiro, mas também é loja, espaço de eventos, brechó e bar. Tinha tanta coisa pra ver que fiquei meio perdida nos primeiros minutos. Me lembrou os lugares que o The Selby fotografa.

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Como eu cheguei lá por acaso, sem planejar, demorei a associar este era o mesmo lugar que já tinha lido a respeito. Daí mencionei um trecho da matéria que saiu no jornal, que dizia que nessa “peluquería” às quartas-feiras o corte de cabelo era de graça, desde que o cliente deixe fazer o que quiser! O pessoal de lá, muito simpático, achou engraçado eu saber desse detalhe tão específico, mas foi isso que  confirmou que sim, era lá mesmo. Olhem os detalhes do salão, as cadeiras misturadas de vários lugares e épocas, o espaço para tingir e pentear. Olhem também que legal na prancheta a ficha de cliente em papel laranja.

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Tem também a parte de loja e brechó, com uma mistura total de roupas e objetos. Adorei o telefone verde, que eu apelidei de “telefone do país das maravilhas”, por causa da etiqueta de “atenda-me” :) Mas o melhor é a placa de “garash shop”, pronúncia literal de garage por quem fala espanhol, ri muito. E a Elna? Lembrei do tio faso, que também tem uma!

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As últimas fotinhos. O grafite da sereia na parede, na parte aberta da loja, com plantas. O chão de ladrilho hidráulico (desabafo: sou muito mais eles do que os porcelanatos da vida!). Almofada de crochê da vovó (ensinamos aqui) em uma poltrona literalmente da vovó! E brincos super legais, desenhados e feitos a mão. Não falei que os colombianos eram muito criativos?

Para conhecer:
Casa Candelaria
Cra 3 No. 12d – 83 (nueva)
Centro Histórico Bogotá-Colombia
telefone: 320 864 40 83
site: www.lapeluqueriabogota.com