25 fev 08
outros bla bla blastricô e crochê
Um tricô pra lá de britânico
por Claudia

Jean Greenhowe (1)
Miss Muffin’s Tea Shoppe , Winifred’s Wool Shop e o cachorro Rascal, do livro Little Dumpling Ladies

Descobri sem querer os livros de receitas de tricô da Jean Greenhowe. Ela começou sua carreira nos anos 60 criando peças para a Vogue Knitting. No fim dos anos 80, montou seu próprio negócio e, com a ajuda da família, passou a criar livros com idéias e receitas para tricotar bonecas e brinquedos – são 24 ao todo. O estilo é tradicional – são personagens de histórias infantis como reis e princesas, ursos e outros animais e especiais de Natal e Páscoa. Para minha surpresa, reparei que palhaços ainda fazem sucesso – são 5 livros dedicados ao tema, sendo que 2 estão esgotados. Ela mora em Aberdeen, Escócia, Reino Unido, e o que mais me chamou a atenção foi ver que em seu trabalho transparece sua nacionalidade.

Separei aqui alguns claros exemplos da influência britânica:

1- homem de kilt (saiote xadrez, traje típico masculino da Escócia) com gaita de foles
2- policial britânico, com o famoso capacete preto
3- liquorice sweets, ou docinhos de alcaçuz, muito tradicionais e populares por aqui
4- Poltrona da vovó, com xale de rendinha no encosto e um gatinho brincando com o novelo de lã 5- Chapéus, em modelos para as quatro estações
6- bolsa de água quente, acessório essencial para o inverno rigoroso

Passeando pelas fotos dos livros, descobri que ela também faz um tipo que boneca que eu não via há uns 20 anos. Sabe aquela sensação de puxar uma coisa da memória, que se não fosse a foto você nem lembraria que existia? Essas bonecas são chamadas em inglês de Topsy-Turnabout Dolls (alguém sabe a tradução disso para o português?). É uma boneca dois-em-um, conectadas pelo torso, sendo que uma das duas fica coberta pela saia longa. Aqui embaixo você pode ver a Cinderella, de um lado triste, com paninho de limpeza na mão, de outro feliz, bem arrumada e segurando um leque.

Jean Greenhowe (3)

Aqui neste livro tem outras três bonecas com o mesmo sistema e o Topsy-Turnabout Doll é exclusivo sobre esse tema.

No site da Jean você ainda encontra algumas receitas gratuitas, disponíveis para download em PDF. Os docinhos da foto abaixo são uma das opções.

Jean Greenhowe (2)

Algumas curiosidades:
. Além das bonecas, um de seus livros tem receitas de objetos que você nunca imaginou que existissem em tricô: cofrinho, porta-lápis, alfineteiro de pulso em forma de relógio e moldura para fotos.
. O instituto para cegos da Grã-Bretanha traduziu alguns de seus livros para o Braille

Links:
. site Jean Greenhowe designs
. onde comprar (a maioria é em UK, mas tem duas opções nos EUA e mais duas no Canadá)
. lista de livros (meu favorito é o do clã MacScarecrow – adorei o cachorrinho Scamp!)
. receitas de tricô gratuitas

Fica aí a idéia. Quem sabe alguém não se anima a fazer bonecas e brinquedos inspirados no Brasil…

21 fev 08
inspiração
Conversa crafty: Pose Dolls, com Bia e Luis
por Andrea

pose dollies

Eu lembro de ter visto uma destas quando era criança, decorando uma estante na casa de uma tia. Cresci e esqueci completamente deste fato. Até que recentemente vi as mesmas bonecas pipocando no Flickr e tive um dejá-vu. Encafifada, resolvi investigar mais a fundo. Descobri que trata-se das Pose Dolls, uma tradução do original japonês Posu Ningyou. São bonecas artesanais, recobertas de tecido e que possuem um look característico que é super retrô e (porque não) meio kitschy.
Fui atrás dos dois maiores conhecedores do assunto no Brasil, os amigos Bia Braune (autora do livro must have Almanaque da TV) e o DJ Luis Cláudio. Eles se conheceram por causa deste hobby, e juntos, têm uma coleção de mais de 140 pose dolls ! Simpaticissímos, toparam responder minhas perguntas nesta entrevista em dose dupla.

Andrea: As Pose Dolls ainda são bem raras no Brasil. Como vocês conheceram estas dolls e quantas têm hoje no total ?
Luis: Coleciono a muitos anos, mas minha coleção ficou mais robusta de uns quatro anos pra cá. Conheci essas bonecas através da minha tia, quando era criança. Tenho hoje em dia umas 70 bonecas!
Bia: Sempre foi uma apaixonada pelo design retrô, o que naturalmente me levou ao vintage japonês das décadas de 50, 60 e 70. Também sou fãzoca do Rune Naitou, ilustrador e designer de bonecas com olhos enormes, saias godê, guarda-chuva e quetais. Daí me apaixonar pelas Pose Dolls foi só um passo. Em 2004, elas começaram a aparecer mais pela internet e desde 2006 venho levando a coleção a sério. Devagarzinho e sempre, juntei quase 70 bonecas – e se tudo der certo, a coleção vai continuar. Cheguei a transformar o meu quarto de empregada em uma espécie de templo kawaii das Pose Dolls. Do contrário, poderia ser soterrada por elas.

Andrea: Quais os tipos de Pose Doll ? Existem diferenças entre elas ?
Bia: As verdadeiras Pose Doll, diferente das Bradley Dolls (produzidas de forma industrial na Korea), são totalmente feitas a mão, são de tecido e foram feitas baseadas nas bonecas francesas Bodouir, das décadas de 20/30. As Pose Dolls foram feitas no Japão a partir do final dos anos 50 e ficaram populares nos anos 60. Se sabe muito pouco sobre essas bonecas pois não existe um fabricante ou artesão.
Coloco apelidos para classificá-las em três tipos : as “pernaltas”, as “sentadinhas” e as “musicais”. Tenho um carinho todo especial pelas pernaltas porque elas são adoravelmente desproporcionais. Não gosto de bonecas realistas, com cara de gente: prefiro rostinhos mais caricaturais.
Pose doll (by  dj_ambient )

Andrea: As Pose Dolls são muito antigas e geralmente estão deterioradas pelo tempo. É possivel restaurá-las?
Luis: Como elas têm de 30 a 40 anos de idade, são realmente super frágeis. Eu tiro sujeiras, arrumo danos no vestido, cabelo despenteado e até danos estruturais, como pescoso quebrado. Quando vêm perfeitas eu só coloco as mãos e as pernas na posição correta. As vezes as dolls requerem um interferência mais radical . Neste caso eu chamo de Extreme Make-Over bonecal . As vezes eu troco toda a roupa, criando outro modelo. No rosto até nova maquiagem pode rolar. Sem nunca descaracterizar o estilo dela, é claro. (A dupla da foto acima, passou por restrauração nas mãos do Luis !)

 

Pose doll (by  dj_ambient )

Andrea: E quais as suas dicas para garimpar uma Pose Doll ?
Bia: A boneca tem que ter potencial. Não precisa estar 100%, mas não compro nenhuma que tenha sido devorada por traças! O rosto, por exemplo, não pode estar borrado na região dos olhos. Como ela é toda recorbeta por tecido, não há como restaurar um borrão com mais de 40 anos de idade. Alguns amassados até podem ser tapeados, mas rasgos são igualmente fatais – não há conserto para eles. De resto, há sempre como ajeitá-las. Quando elas vêm deterioradas mando para o Luis que restaura as minhas bonequitas em semi-petição de miséria. É ele quem cola os fios de cabelo, faz novas roupas, inventa botinhas que escondem estrategicamente algumas pernas machadas. O homem é o mago das Pose Dolls !

(Veja aqui uma boneca que foi restaurada pelo Luis e digam se a Bia não tem razão)

Andrea: E vocês têm alguma Pose Doll favorita das suas coleções ?

Bia: Escolher apenas uma seria impossível. Gosto de imaginar que as minhas Pose Dolls – feitas à mão há pelo menos 40 anos – viajaram meio mundo e já habitaram muitos lares antes de chegar à minha casa. Essas bonecas são verdadeiras sobreviventes!
Luis: …………(ele confidenciou que tem algumas que ama mais, mas vamos deixar nomes em segredo para não melindrar as outras dolls)

Mais fotos, para que você mesma escolha a sua preferida:

* Sala de Estar, da Bia Braune (que também coleciona Blythes e outras bonecas fofas)
* Dj_Ambient, do Luis e o grupo que ele criou, Lovely Pose Dolls from Japan

***************************

Você sabia que (1): Recentemente a designer japonesa Ayumi Uyama resgatou o design kawai vintage e criou bonecas, mini toys em feltro e padronagem de tecidos que viraram febre mundial entre crafters. Ela lançou no ano passado as bonecas Osyalle Dolls, que seguem o mesmo look das Pose Dolls originais mas são fabricadas pela Takara. É claro que a Ayumi é também uma ávida colecionadora das Pose Dolls originais, e até publicou o livro The Lovely Pose Doll Album. É uma edição japonesa, mas dá para comprá-lo pelo Ebay. Eu já encomendei o meu.

Rune, Macoto, Uyama
Obras de Rune Naitou, Macoto e Ayumi Uyama, respectivamente

Você sabia que (2): O design retrô/kawaii é fruto da era Showa do Japão ? Esta era corresponde ao perído do Imperador Hirohito no poder e engloba 61 anos, de 1928 a 1989, inclusive as décadas de 60-70, onde aconteceu o milagre econômico e a explosão da cultura pop made in japan que adoramos até hoje. Além do Rune Naitou, já citado pela Bia, outro célebre nome da era Showa que vale a pena conhecer é o ilustrador Macoto Takahashi. Ele também fez ilustras super femininas com aqueles olhões característicos mas com um estilo hiper detalhista. Hoje está com com 73 anos e continua ativo, desenhando. Há um grupo dedicado ao trabalho dele no Flickr . Eu sou fã.

********************************
Este post é dedicado aos 100 anos de imigração japonesa no Brasil. Sem ela, esta que vos escreve provavelmente não existiria !

20 fev 08
outros bla bla blas
Vida longa ao Superbonder
por Claudia

Superbonder

Se você sabe como fazer um vidrinho de Superbonder durar anos, vá direto para os comentários e deixe suas dicas!

Se, como eu, você tem que comprar um novo Superbonder a cada vez que precisa de uma super cola, então leia o post abaixo.

Comprei um esses dias para colar uma tiara bonita que eu tinha comprado e começou a rachar. Comprei a cola da foto, Loctite Super Glue, da Henkel, que eu insisto em chamar de Superbonder, apesar de o nome genérico do produto ser adesivo universal instantâneo.

Antes de jogar fora a embalagem, resolvi ler as dicas do fabricante e descobri uma coisa muito interessante que já fez essa mesma cola durar mais de um mês. Após o uso, eles recomendam limpar o bico com um algodão embebido em removedor de esmalte. Na verdade eles até tem um produto específico para limpeza, chamado Loctite Glue Remover, mas só a acetona já funciona bem!

Outras dicas óbvias que encontrei na embalagem:
. aplique o produto apoiando o objeto em uma área de trabalho (mesa, etc.)
. proteja sua roupa e a superfície de apoio
. couro pode endurecer ou descolorir
. não recomendado para objetos que vão ser usados com líquidos quentes, tipo xícaras e canecas
. teste em algum pedacinho escondido antes de aplicar em tudo
. se cair na pele, lave com água quente e sabão e se precisar, use o cabo arredondado de uma colher para ajudar.

Mais alguma dica útil? E a história de guardar superbonder na geladeira, é mito? Espaço livre para discussão nos comentários.

* * * * * * * * * *
Também no Superziper: Nós já testamos a técnica de cortar feltro usando ferro quente, ou seja, usando aquelas forminhas de cortar biscoito aquecidas no fogão. Leia a matéria para saber se vale a pena!